Para usuários, tecnologia está tornando a vida superficial
Pessoas estão cada vez menos satisfeitas.
A tecnologia digital e as mudanças que ela promoveu sobre a comunicação e os hábitos das pessoas deixaram muitas pessoas inseguras quanto ao que ainda está por vir. Por mais benefícios que as inovações tragam, alguns acham que elas deixam de lado coisas importantes, como uma conexão com o mundo natural e o senso de comunidade.
Essas são algumas das descobertas de um estudo global feito pela Euro RSCG Worldwide, em parceria com o Market Probe International. Foram ouvidos 7.213 adultos de 19 países.
“O estudo revela que existe um forte sentimento de ambivalência em relação ao futuro”, diz Bronson Smithson, vice-presidente de planejamento da Euro RSCG. “De um lado, os consumidores estão abraçando a tecnologia e todas as conveniências da vida moderna. Por outro, estão melancólicos por alguns aspectos que estão se esvaindo, como a simplicidade, a intelectualidade e os laços com a natureza”.
Para Maurício Kato, CEO da Euro RSCG São Paulo, “a vida digital mudou a forma como encaramos a privacidade e a sociedade em si. Independente da idade, as pessoas estão preocupadas que a tecnologia possa estar roubando sua privacidade e seu tempo de convivência com a família e amigos.” Segundo o executivo, boa parte dos entrevistados diz que a sociedade se tornou muito “superficial”.
Resultados
Cerca de 60% dos entrevistados acredita que a sociedade está se movendo na direção errada. Quatro em cada 10 pessoas sentem que estão desperdiçando suas vidas, e 72% estão preocupados com o declínio moral da sociedade.
Enquanto apenas 10% acreditam que a tecnologia digital vai ter um efeito negativo global sobre o mundo, 42% acreditam que é muito cedo para dizer, sugerindo um nível relativamente forte de desconfiança e inquietação sobre o que está por vir. Metade da amostra se preocupa que a tecnologia digital e as multitarefas estão afetando a capacidade humana para pensar profundamente e se concentrar em uma tarefa de cada vez.
A tecnologia também está criando problemas sociais, segundo os entrevistados: 58% estão preocupados com a perda de capacidade de engajamento em debates civis. Sete em cada dez diz se preocupar com o aumento do extremismo político, e 64% com o aumento de paranoia e teorias conspiratórias.
Redes sociais são outro problema: mais de um quarto da amostra diz que elas os tornam menos satisfeitos com suas próprias vidas.




