Tecnologia brasileira entra na briga do mercado global de comunicação segura

mar 6, 2015 by

Uma empresa brasileira está buscando um lugar de destaque no mercado global de comunicação móvel criptografada. Trata-se da Sikur, que no Mobile World Congress 2015 está lançando o Granitphone, um celular com tecnologia 100% nacional de segurança, e que tem como concorrentes três empresas no mundo: Suécia, EUA e Rússia. A Defesa brasileira já está atenta ao produto, que será fabricado na Ásia. Versão mais flexível – sem restrição aos OTTs, por exemplo – será lançada no final deste ano. Ideia é vender 80 mil terminais até dezembro.

 

“Temos duas operadoras brasileiras bem interessadas em ter o Granitephone no portfólio de soluções corporativas. E aqui em Barcelona, teles de outros países nos procuraram. O engraçado é que em segurança, ser do Brasil, hoje, é ‘cool’. Muitos vêem aqui por conta de sermos brasileiros”, diz Leandro Coletti, diretor da Sikur.

A ideia para o desenvolvimento do Granitephone surgiu antes do episódio Snowden, mas ganhou ainda mais fôlego após a divulgação da espionagem dos telefonemas da presidenta Dilma Rousseff. “Não criamos o Granitephone por conta da espionagem, mas ela nos ajudou muito. A Defesa teve que dar um valor maior à criptografia, à privacidade da informação”, diz Coletti.

Fundada em 2009 por ex-executivos do setor financeiro de Curitiba (PR), a Sikur traçou uma política de crescimento global. Tanto é assim que, em janeiro, transferiu sua sede para Miami (EUA). A companhia também tem escritórios em Emirados Árabes, México, Colômbia e Chile, países para os quais os produto também estará disponível. A partir do ano que vem, haverá vendas para Europa e Ásia. “Estamos muito cientes do que queremos nesse mercado de segurança. Temos convicção que podemos ser uma operação global não só com o Granitephone, mas com o Sikur, que é a nossa plataforma”.

Na prática, o Granitephone começa a ser vendido no terceiro trimestre deste ano. Ainda não está sendo testado por nenhum usuário. Esse modelo de prova de conceito deverá começar dentro de 30 a 45 dias, já com órgãos do governo Dilma. “Eles vão usar o Granitephone 1, que deverá ter um custo médio de US$ 800 e será fabricado na Ásia. Não há como fazer a ‘montagem’ no Brasil. O custo é inviável”, explica Cristiano Iop.

Até o começo de abril, a Sikur planeja anunciar uma parceria com um grande fabricante para fazer uma versão para o consumidor final do Granitephone. “Vamos ter o android e o acesso aos OTTs, mas sempre com a nossa camada de segurança. O consumidor também quer recuperar o que perdeu: a sua privacidade. Mas quer ter o direito de ir à rede pública. Vamos oferecer isso. Mas pela parceira. Hoje, o consumidor final não é o nosso alvo imediato”, ressalta o executivo.

Com capital fechado e recursos obtidos pelos próprios acionistas, a Sikur não recorreu as linhas de crédito do governo. “O acesso ao capital no Brasil é muito moroso. Tivemos essa ideia do granitephone e a tornamos real em pouco mais de seis meses. Se esperássemos o dinheiro público, poderíamos estar ainda no começo do desenvolvimento”, completa Iop.

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