Não basta investir somente em novas tecnologias
Professor da Fundação Getúlio Vargas, Felipe Buchbinder defende a tese de que países podem aproveitar uma onda tecnológica e alcançar o desenvolvimento em uma ou duas gerações.
E cita os exemplos de China, Coreia do Sul, Finlândia, Irlanda, Israel, Cingapura e Taiwan, que, ao se lançarem à tecnologia sem descuidar das políticas sociais, combinando inovação, educação, fortalecimento institucional e inserção global, conseguiram se desenvolver em relativamente pouco tempo.
No contexto da inteligência artificial (IA), o professor destaca quatro recursos estratégicos no mundo: dados, chips, energia e pessoas e analisa a situação do Brasil em cada um deles.
1) Dados e pessoas: “Com uma população grande e diversa, o Brasil tem o privilégio de gerar imensos volumes de informação em saúde, finanças, educação e muito mais.”
2) Chips: A produção de chips requer terras raras, e o Brasil detém entre 18% e 23% das reservas globais, sendo a segunda maior reserva do planeta. Apesar disso, o país participa com apenas 0,005% da produção global de semicondutores, exportando o minério bruto e importando os chips prontos, ficamos com o risco ambiental da mineração e perdemos o valor agregado da indústria.
3) Matriz elétrica limpa: A energia é nossa vantagem mais clara. Enquanto a média mundial de eletricidade renovável é de 38%, o Brasil já conta com 84% de sua matriz elétrica limpa.
4) Pessoas, o maior desafio: “Não faltam cérebros, mas falta um projeto nacional capaz de canalizar o talento para áreas estratégicas da indústria.”
Buchbinder ressalta ainda que a política de inovação só ganhará escala quando os cursos de engenharia estiverem alinhados às necessidades da indústria.
Portanto, não basta investir somente em novas tecnologias. É preciso capacitar a mão de obra, fortalecer as instituições, garantir estabilidade econômica, estimular exportações e atrair investimentos nacionais e estrangeiros.
O desafio brasileiro é transformar potencial em estratégia — e estratégia em prosperidade para toda a sociedade.
Instituto Telecom, 11 de Novembro de 2025
Marcello Miranda, especialista em Telecom




