Shenzhen, você conhece?

nov 25, 2025 by

Shenzhen é uma cidade localizada no sudeste da China e, nas últimas décadas, tornou-se um dos ecossistemas de inovação mais importantes do mundo. Como lembra Alessandra Fu Vivian, executiva de tecnologia, conselheira e especialista em governança, Shenzhen é hoje “o principal polo de inovação tecnológica da China”.

A pergunta inevitável é: o que podemos aprender com essa experiência para repensar nossas próprias estratégias de desenvolvimento?
Eis alguns pontos fundamentais destacados por Alessandra Fu Vivian:

1. Shenzhen como símbolo das Zonas Econômicas Especiais (ZEEs)
Talvez nenhum lugar represente tão bem o êxito das ZEEs quanto Shenzhen. Criada praticamente do zero nos anos 1980, tornou-se uma vitrine global de como políticas industriais direcionadas podem transformar uma região inteira.

2. O que são as ZEEs
Zonas Econômicas Especiais são áreas com regimes econômicos e regulatórios diferenciados, projetadas para atrair investimento estrangeiro, estimular a industrialização e impulsionar exportações. Elas funcionam como motores de crescimento orientado.

3. O ecossistema empresarial construído em Shenzhen
A cidade tornou-se berço de gigantes: Huawei, ZTE. Seu sucesso não se explica apenas pelo espírito empreendedor local. Deriva da combinação entre política industrial coerente; infraestrutura avançada; educação técnica; abertura internacional; coordenação entre níveis de governo

4. O fundamento político das ZEEs no modelo chinês
As ZEEs são parte de um projeto de Estado de longo prazo do Partido Comunista Chinês: um modelo de capitalismo condicional, em que o mercado opera como instrumento subordinado aos objetivos estratégicos definidos pelo Estado.

5. ZEEs como laboratórios institucionais
A lógica é pragmática: testar políticas, regulações, modelos urbanos e mecanismos de governança em ambientes controlados. O que funciona é escalado; o que não funciona é descartado rapidamente.

6. A orquestração estatal como diferencial

O governo central aponta a direção estratégica; governos locais executam com eficiência, monitoram resultados e ajustam políticas com agilidade. A capacidade de coordenação é parte essencial do modelo.

7. Por que não há “importação” possível desse modeloAlessandra enfatiza: não funciona copiar literalmente. Cada país tem sua institucionalidade, seu contexto político, sua maturidade administrativa.

8. A verdadeira lição chinesa

O ponto central não são apenas as ZEEs, mas o fato de elas estarem articuladas dentro de uma visão sistêmica maior. Um tabuleiro estratégico de desenvolvimento nacional. Não basta criar incentivos fiscais: é preciso repensar o papel do Estado como estrategista, articulador e catalisador do desenvolvimento.
Vale a pena refletir sobre o quanto essa experiência pode inspirar um novo ciclo de políticas de desenvolvimento no Brasil: mais estratégicas, mais coordenadas e orientadas a projetos de longo prazo, inclusive em relação às telecomunicações.

Instituto Telecom, Terça-feira, 25 de novembro de 2025
Marcello Miranda, especialista em Telecom

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