Um Festival contra o cercamento da Lua

set 6, 2022 by

Em sua palestra no Festival do Livro Vermelho (FLIV) promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio de Janeiro no período de 31 de agosto a 3 de setembro, a professora Larissa Ormay foi muito feliz ao enfatizar que o grande sonho dos capitalistas é ter o monopólio. Privatizar tudo, inclusive a Lua.

Pode parecer óbvio, mas, assim como no início do capitalismo, na acumulação primitiva do capital, as terras que eram públicas foram cercadas e privatizadas, na atual sociedade da informação esta, que era pública, está sendo cada vez mais cercada, privatizada em favor do lucro exponencial e em detrimento da sociedade. A miséria, a fome, a precarização do trabalho, a exclusão convivendo com ganhos de capital nunca imaginados.

A informação sempre foi importante. No entanto, no momento atual do capitalismo, a informação é a grande mercadoria. E o controle da informação passou a ser a própria essência para que o capital se expanda.

Sobre isso, em sua palestra acerca de seu livro “O valor da informação”, o professor Marcos Dantas destacou o embate entre informação, trabalho e capital. Como a informação tem propriedades específicas, dentre as quais poder ser compartilhada e não ser escassa. “O que é o Spotify, o que é o Netflix?”, fustigou Dantas. E completou: “São jardins murados associados com a propriedade intelectual”. Para ele, isso impõe a necessidade de “um forte aparato regulador (…), especialmente para a manutenção e o aprimoramento de seus mecanismos democráticos de gestão de conflitos e convívio social civilizado”.

Já o vice-presidente do Clube de Engenharia, Marcio Patusco, observou que embora o 5G ainda não apresente nenhuma aplicação significativamente diferente do que nos entrega o 4G, é necessário discutir o papel dessa nova geração tecnológica. Debater quais são os problemas brasileiros em relação ao 5G e como ele pode, ou não, auxiliar no combate ao abismo digital.

O 5G poderá ser mais um fator que acentue a exclusão ou uma oportunidade para debatermos espaços na cadeia produtiva mundial na qual o Brasil esteja inserido. O modelo e a execução do leilão da Anatel acentuam a exclusão, com o domínio das mesmas operadoras que participaram e ganharam, em 1998, a operação das telecomunicações brasileiras e até hoje não auxiliaram no processo de redução da exclusão digital.

Em suma, se queremos sair desse buraco que foi aprofundado com o golpe de 2016 e a eleição, em 2018, de um governo com características fascistas, temos que derrotá-lo nas urnas no dia 2 de outubro. Mas, isso não basta. Devemos voltar a discutir a formação, a cultura, a comunicação, a ciência, a tecnologia para que esse pesadelo nunca mais volte a nos atormentar. Exatamente como fizeram os palestrantes e participantes do Festival do Livro Vermelho. Vamos combater o cercamento, no qual o neoliberalismo é a sua maior expressão.

Parabéns ao Sinttel pela iniciativa, e que venham outras mais.

A Lua não aceita ser cercada.

Instituto Telecom, Terça-feira, 6 de setembro de 2022

Artigos relacionados

Tags

Compartilhe

2

  1. Celso

    Precisamos muito de informações, bem transparente e com entendimentos esclarecidos de maneiras cultas e simples assim. Parabéns

  2. Thais Miranda Sampaio Corrêa Tinoco

    A lua e o sol não podem cerceados. A questão da informação não pode ficar na mão do capitalismo. E nas urnas que iremos dar um rumo a esse país. Thaís.

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *