Um Festival contra o cercamento da Lua
Em sua palestra no Festival do Livro Vermelho (FLIV) promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio de Janeiro no período de 31 de agosto a 3 de setembro, a professora Larissa Ormay foi muito feliz ao enfatizar que o grande sonho dos capitalistas é ter o monopólio. Privatizar tudo, inclusive a Lua.
Pode parecer óbvio, mas, assim como no início do capitalismo, na acumulação primitiva do capital, as terras que eram públicas foram cercadas e privatizadas, na atual sociedade da informação esta, que era pública, está sendo cada vez mais cercada, privatizada em favor do lucro exponencial e em detrimento da sociedade. A miséria, a fome, a precarização do trabalho, a exclusão convivendo com ganhos de capital nunca imaginados.
A informação sempre foi importante. No entanto, no momento atual do capitalismo, a informação é a grande mercadoria. E o controle da informação passou a ser a própria essência para que o capital se expanda.
Sobre isso, em sua palestra acerca de seu livro “O valor da informação”, o professor Marcos Dantas destacou o embate entre informação, trabalho e capital. Como a informação tem propriedades específicas, dentre as quais poder ser compartilhada e não ser escassa. “O que é o Spotify, o que é o Netflix?”, fustigou Dantas. E completou: “São jardins murados associados com a propriedade intelectual”. Para ele, isso impõe a necessidade de “um forte aparato regulador (…), especialmente para a manutenção e o aprimoramento de seus mecanismos democráticos de gestão de conflitos e convívio social civilizado”.
Já o vice-presidente do Clube de Engenharia, Marcio Patusco, observou que embora o 5G ainda não apresente nenhuma aplicação significativamente diferente do que nos entrega o 4G, é necessário discutir o papel dessa nova geração tecnológica. Debater quais são os problemas brasileiros em relação ao 5G e como ele pode, ou não, auxiliar no combate ao abismo digital.
O 5G poderá ser mais um fator que acentue a exclusão ou uma oportunidade para debatermos espaços na cadeia produtiva mundial na qual o Brasil esteja inserido. O modelo e a execução do leilão da Anatel acentuam a exclusão, com o domínio das mesmas operadoras que participaram e ganharam, em 1998, a operação das telecomunicações brasileiras e até hoje não auxiliaram no processo de redução da exclusão digital.
Em suma, se queremos sair desse buraco que foi aprofundado com o golpe de 2016 e a eleição, em 2018, de um governo com características fascistas, temos que derrotá-lo nas urnas no dia 2 de outubro. Mas, isso não basta. Devemos voltar a discutir a formação, a cultura, a comunicação, a ciência, a tecnologia para que esse pesadelo nunca mais volte a nos atormentar. Exatamente como fizeram os palestrantes e participantes do Festival do Livro Vermelho. Vamos combater o cercamento, no qual o neoliberalismo é a sua maior expressão.
Parabéns ao Sinttel pela iniciativa, e que venham outras mais.
A Lua não aceita ser cercada.
Instituto Telecom, Terça-feira, 6 de setembro de 2022





Precisamos muito de informações, bem transparente e com entendimentos esclarecidos de maneiras cultas e simples assim. Parabéns
A lua e o sol não podem cerceados. A questão da informação não pode ficar na mão do capitalismo. E nas urnas que iremos dar um rumo a esse país. Thaís.