2013 começa com grandes desafios
Na área de telecomunicações, ano novo não é sinônimo de desafios novos. O ano que começa será decisivo para o setor não pela expectativa em torno de grandes revoluções tecnológicas, mas pela necessidade de que o setor retorne ao básico: bom atendimento a preços justos.
2012 foi um ano de muita agitação para as empresas de telefonia. Adotando uma nova tática, a Anatel não economizou nas medidas cautelares e suspendeu a habilitação de novos clientes e alguns planos de boa parte das operadoras de telefonia móvel. As ações vieram junto com promessas de melhoria na qualidade do serviço, com a exigência de mais investimentos por parte das empresas. O ano terminou e, para os clientes, nada mudou.
Todos que têm um celular no Brasil já passaram por falhas no serviço. O que impressiona atualmente é o sinal cada vez mais escasso nas capitais. As empresas se defendem, alegando que as regras locais de instalação de antenas são muito restritivas. Mas para o cliente que paga uma das mais caras tarifas do mundo, a sensação é de há também uma boa dose de ganância das empresas em um setor em que já é praxe vender mais do que se consegue entregar.
Depois de um ano de castigos que não geraram resultado, espera-se que as autoridades aproveitem 2013 para realmente repensar os padrões de qualidade dos serviços prestados no Brasil. Dentro da Anatel já se fala em estabelecer padrões “flexíveis” de qualidade, em mais um movimento que beneficiará exclusivamente quem tem muito dinheiro para gastar às custas da grande maioria que usa celulares pré-pagos. Este é um bom sinal de como o assunto ainda pode gerar muita dor-de-cabeça para o consumidor em 2013.
Outro nó que não foi desatado no ano passado é o Marco Civil da Internet. O desfecho melancólico da tentativa de votação do projeto na Câmara dos Deputados tornou o futuro do tema bastante sombrio. Em meio a pressões de toda sorte de interesses econômicos, o Marco Civil corre o risco de não sair mais da gaveta do presidente da Câmara.
O ponto nevrálgico do projeto é a neutralidade de rede, princípio em que todo tipo de acesso à Internet deve ser tratado de forma igualitária pelas empresas que fornecem o serviço. Essa democracia no trânsito na rede incomoda muitas empresas, especialmente as operadoras de telefonia mundo afora. A polêmica não está restrita ao Brasil.
No ano passado, a neutralidade emergiu como o principal item de discórdia entre os países que formam a União Internacional de Telecomunicações (UIT) e a briga promete se estender em 2013. Aqui no Brasil, o risco é que o governo comece a agir sobre a Internet antes de termos um Marco Civil. Na última reunião da UIT, a comitiva brasileira foi signatária de um tratado extremamente perigoso para os usuários de Internet, por abrir brechas para o controle do conteúdo na web.
O ciclo de grandes eventos esportivos que se inicia neste ano com a Copa das Confederações obviamente trará pressões para os serviços de infraestrutura. Na telefonia, a aguardada chegada do 4G neste ano pode deixar muita gente frustrada já que o serviço tem tudo para ser caro e pouquíssimos clientes deverão ter acesso de fato a velocidades maiores na conexão de banda larga sem fio. Por outro lado, o cenário permite que as empresas busquem mais financiamentos para expandir suas redes. Isso pode ajudar a melhorar, um pouco que seja, a precária qualidade dos serviços telefônicos que temos hoje.
Esses são os desafios mais óbvios, mas ainda há muitas polêmicas para o ano que começa. A parte positiva disso tudo é a clara percepção por parte dos consumidores das obrigações das empresas que atuam nesse mercado. Se a clientela continuar atenta, 2013 pode ser um ano bem melhor do que 2012.




