A inovadora Oi
Boa parte dos cerca de R$ 70 bilhões de dívidas da Oi foi convertida, em 2018, em participação acionária dos grandes credores. Leia-se grandes especuladores.
Na última quarta-feira, 1º de agosto, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi informada de que a norte-americana Goldentree Asset Managment Lux Sarl ficou com 9,29% da totalidade das ações da Oi. No dia anterior, terça, o fundo York Global Finance, que tem sede nas Ilhas Cayman, informou que controla 7,4% das ações com direito a voto. A portuguesa Pharol participa com 7,4% das ações.
Enquanto isso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social, que através da subsidiária BNDESPar possuía, em 2010, 30% de participação, agora tem menos de 5% do total das ações ordinárias. Ou seja, não terá qualquer influência nas decisões dessa empresa estratégica. A Oi está presente em 26 dos 27 estados da federação e acumulou, de 2015 a 2017, uma receita líquida de R$75,18 bilhões e um EBITDA (grosso modo- lucro) de R$ 20,45 bilhões.
Mas a situação sempre pode piorar. Uma assembleia convocada para o dia 3 de setembro pode definir mudanças no Estatuto Social e escolher o novo Conselho Deliberativo.
Quem participará desse Conselho? O presidente de operações globais da AT&T. O membro da BC2 Construtora. Um membro do comitê de auditoria da Itaú Unibanco Holding. O presidente da Gestora de Inteligência de Crédito S.A, etc. Não há, obviamente, nenhum membro com representação social, alguém que pudesse defender uma empresa que não visasse exclusivamente o lucro, mas comprometida com contrapartidas sociais.
Dessa forma, lamentavelmente, a Oi continuará com sua política dirigida por especuladores. Nenhuma garantia de que a banda larga será levada a todos os municípios brasileiros, com qualidade e tarifas módicas. Nenhum compromisso com os mais de 100 mil trabalhadores diretos e indiretos. Esse é o quadro da nova Oi. Realmente muito inovador.
Instituto Telecom, Terça-feira, 07 de agosto de 2018




