CPqD testa 1ª solução do mundo que adapta sinal de 4G para faixa de 450 MHz
O CPqD apresentou ao ministro das Comunicações nesta sexta-feira (24) a primeira plataforma do mundo para o uso da tecnologia de banda larga móvel LTE na frequência de 450 MHz, que será usada no Brasil para atender à área rural. Para o ministro Paulo Bernardo, a novidade cria uma “perspectiva melhor” para o leilão do 4G em maio, quando o governo venderá licenças para as faixas de 2,5 GHz e 450 MHz, apesar das críticas de operadoras contra a vinculação da frequência mais baixa, que não seria economicamente interessante para suas operações.
“O edital só prevê a vinculação das duas faixas se não houver interesse no 450 MHz. Mas nossa aposta é de que vai haver interesse. Percebemos pelas consultas que aumentou bastante o interesse pela frequência, e ela deve ser leiloada sozinha”, afirmou Bernardo durante coletiva em Campinas (SP), na sede do centro de pesquisas.
A solução desenvolvida pelo CPqD, ainda em fase experimental, pode ser usada em todas as frequências, mas foi especialmente adaptada para atender à faixa de 450 MHz, que é atualmente usada apenas na tecnologia de terceira geração CDMA. “Mostramos que é possível também implementar o 4G no meio rural”, disse o gerente da divisão de comunicações sem-fio do centro de pesquisas, Fabrício Lira Figueiredo. “O objetivo era disponibilizar o LTE na faixa de 450 MHz no curto prazo, mas também estamos desenvolvendo a transmissão do sinal nessa frequência”.
A tecnologia estará disponível comercialmente para as operadoras a partir do final de 2012, através da WxBR, uma joint-venture da Padtec com a Icatel que já foi parceira do CPqD em projetos de WiMax e WiFi. A empresa será responsável pela fabricação e comercialização do equipamento desenvolvido pelo CPqD para as operadoras, com foco inicial em terminais fixos, que segundo Figueiredo é a principal demanda da população rural.
“Antes mesmo do anúncio, hoje, já tivemos interesse de algumas operadoras”, afirmou o diretor comercial da empresa, Samuel Rocha Lauretti, que garantiu que a solução terá preços competitivos. “E não estamos olhando só o mercado brasileiro. Muitos países têm CDMA nessa faixa e precisarão atualizar em algum momento”, acrescentou o executivo da WxBR, que apresentará o projeto junto com o CPqD na CeBIT, importante evento do setor que será realizado na Alemanha em março.
As pesquisas do CPqD na tecnologia LTE foram financiadas com R$ 40 milhões em recursos no Funttel (Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações) e, segundo Figueiredo, a maior parte dos investimentos a partir de agora irão para o desenvolvimento de produtos de conteúdo nacional.
Antenas
O ministro também respondeu às críticas das teles com relação às restrições das leis municipais de instalação de antenas, o que poderia atrasar a implementação das redes 4G. “A faixa de 2,5 GHz é uma frequência muito alta, então há necessidade de mais antenas”, disse Bernardo, assegurando que o MiniCom já está preparando uma proposta de lei federal para a construção de antenas que acabe com as limitações da legislação dos municípios.




