Exército pede que Anatel libere 700 MHz para uso em LTE
As teles ganharam, indiretamente, um aliado importante na disputa pela faixa de 700 MHz, que ao menos até 2016 fica em uso das radiodifusoras. O Exército brasileiro está animado com os testes realizados em parceria com a Motorola para comunicações em tecnologia de quarta geração (LTE) nessa frequência e já pediu formalmente à Anatel à destinação de, pelo menos, uma fatia do espectro para aplicações em segurança.
O Centro de Comunicação e Guerra Eletrônica do Exército, trabalha com a perspectiva de efetiva implantação do sistema em 2014 – no entendimento do comandante do CCOMGEX, general Antonino Santos Guerra, não há mais tempo hábil para a implantação antes da Copa das Confederações, no próximo ano.
“É uma situação complicada, mas precisa que ocorra [a destinação] a curto prazo para haver o processo de licitação, senão a janela de oportunidade pode passar”, afirma o general. Na prática, os grandes eventos esportivos servem como incentivo para uma possível decisão de atribuição da faixa, mas o objetivo é usar a capacidade de transmissão em diferentes operações militares.
Santos Guerra explica que um primeiro pedido à Anatel chegou a ser feito ainda no ano passado. “Mas o assunto ainda estava pouco aquecido e não prosperou”, explica. De qualquer forma, a Motorola Solutions – braço de redes após a cisão da empresa – apostou no investimento de US$ 2 milhões para seis meses de testes na capital da República.
Em essência, o 4G da Motorola em 700 MHz é especialmente voltado a aplicações em segurança pública – e compatível, naturalmente, com os atuais sistemas que a empresa já venda para órgãos em diversos países, inclusive no Brasil. Com três antenas instaladas no Distrito Federal – em áreas do Exército – a experiência cobriu o centro de Brasília em transmissões de 5+5 MHz onde vem conseguindo taxas de 30 Mbps.
“É o primeiro teste de LTE em 700 MHz na América Latina, oferecendo banda larga com mobilidade total. Nosso teste valida uma solução comercial que já temos em outros países e esperamos que essa vitrine prestigie a todos os países vizinhos. A ideia é influenciar positivamente”, admite o presidente da Motorola Solutions, Eduardo Stefano. Não por menos, para a demonstração foram convidados argentinos, chilenos, colombianos e mexicanos.
Se os testes estão sendo realizados com banda de 5+5 MHz, o pedido junto à Anatel é para uso da fatia de 700 MHz a 720 MHz – ou seja, com vistas a transmissões em 10+10 MHz. Nesse ponto a Motorola ainda fala nos teóricos 100 Mbps de velocidade possíveis com a nova tecnologia.
O Exército já participa de um projeto de preparação de redes para os grandes eventos esportivos, mas, como explica o general Santos Guerra, “o LTE não consta ainda do projeto”. O motivo, completa, retorna ao pedido junto à Anatel. “Não podemos adquirir nada com base em uma janela provisória de frequência”, diz o comandante do CCOMGEX.




