Google se antecipa a marco civil e transfere serviço de DNS para os Estados Unidos
O Google se antecipou à obrigatoriedade da guarda de dados de brasileiros ou de atividades executadas no país em território nacional, prevista no marco civil da internet, e transferiu seu serviço de DNS (sigla para Domain Name System, ou Sistema de Nomes de Domínio) do Brasil para os Estados Unidos. A informação é da Renesys, empresa americana que monitora as atividades na internet em todo o mundo.Em nota publicada no site da empresa, ela diz que, no mês passado, notou que o DNS do Google para a América Latina tinha parado de responder a consultas de São Paulo e começado a encaminhá-las de volta para os EUA. Ao mover a resolução de DNS para fora do Brasil e de volta para os Estados Unidos, o DNS do Google agora passa a operar fora da jurisdição brasileira — o DNS funciona como um sistema de tradução de endereços IP para nomes de domínios. Graças a ele, quando alguém digita www.tiinside.com.br na barra de endereços do seu navegador acessa o portal TI INSIDE, em vez de um monte de números e pontos.
Embora tenha admitido que fez a mudança no dia 24 de setembro, o Google não revela o motivo. Tanto que quando foi perguntado a uma pessoa da empresa se esta era uma questão técnica ou uma decisão política, ela disse apenas que havia encaminhado a pergunta ao departamento de relações públicas da companhia.
Para a Renesys, “parece apenas prudente que, ao saber da nova lei de privacidade no Brasil, o Google tenha começado o processo de descontinuidade de seus serviços no país, aguardando uma revisão da legislação”. E completa: “Se o Google deixar o Brasil, como fez na China, poderá optar por investir em infraestrutura em outros países com leis mais a seu gosto. Esse desenvolvimento pode induzir a competição local, talvez com encorajamento do governo, como se viu no Baidu chinês e no Yandex russo. Não é necessariamente uma coisa ruim para o Brasil ou para a região como um todo, no longo prazo.”




