Governo fecha acordo com Fifa para telecomunicações
A comitiva da Fifa está nesta segunda-feira, 28, em Brasília para avaliar as ações do governo brasileiro para recepcionar a Copa de 2014. A visita à capital não serviu apenas para fiscalizar as obras do Estádio Nacional Mané Garrincha. Um memorando de entendimento foi firmado entre a Fifa e o Ministério das Comunicações para distribuir as responsabilidades na expansão da rede de telecomunicações para atender a demanda extra que será gerada pela Copa.
O acordo joga luz no que já estava se tornando uma novela no setor de telecomunicações. Nos últimos meses a construção da rede que atenderá os estádios e outros locais de suporte ao evento esportivo virou objeto de um jogo de empurra. Operadoras argumentaram que a Fifa deveria pagar para que a iniciativa privada cuidasse da expansão. O governo defendia que a base da nova infraestrutura seria feita pela Telebrás, que por sua vez não possuía aval formal da Federação Internacional de Futebol para seguir adiante nem a lista de locais que deveria ser atendidos. O memorando de hoje esclarece o que já era para estar em andamento.
Ao divulgar a assinatura do documento, a assessoria do Ministério das Comunicações destacou uma frase bastante interessante, dita pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e reafirmada pelo ministro Paulo Bernardo: Sem telecomunicações não há Copa. É verdade. Um evento com as dimensões de uma Copa do Mundo não precisa apenas de estádios modernos. Há uma rede de serviços essencial para que tudo funcione. E, em um mundo tecnológico como o que vivemos hoje, a telecomunicação é fundamental. Não só para atender a avalanche de turistas que chegará ao Brasil, mas para que o próprio evento possa ser conduzido.
Para implantar a nova rede de fibra óptica nas 12 cidades-sede da Copa o governo aportará R$ 200 milhões na Telebrás. Não deixa de ser interessante observar que a estatal revitalizada que não mereceu o apoio previsto para consolidar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) pode enfim tornar-se um componente importante no tabuleiro das telecomunicações por conta dos investimentos para a Copa. Tivesse o governo investido mais no PNBL o custo da expansão combinada agora com a Fifa poderia ter sido menor.
Comenta-se muito sobre o real valor dos investimentos feitos na Copa como herança para a população brasileira. É difícil imaginar que o Estádio Nacional de Brasília, com capacidade para mais de 71 mil pessoas, terá muito uso após os jogos mundiais, estando localizado em uma cidade que tradicionalmente não abriga grandes eventos esportivos. Será preciso muita imaginação do governo local e um belo plano de turismo para que o R$ 1 bilhão estimado de investimento na obra realmente gere retorno para a capital.
Mas se há um ramo de investimento com foco na Copa em que não há dúvidas sobre o legado positivo dos jogos mundiais é o das telecomunicações. A rede que atenderá os estádios ajudará a desafogar nossa própria demanda interna por serviços de telefonia e banda larga. Com a cresceste demanda por capacidade de redes para serviços cada vez mais sofisticados com base na Internet, qualquer investimento será sempre bem-vindo. Vamos esperar que, com este tão aguardado memorando de entendimento, possamos começar a ver algumas mudanças na nossa infraestrutura e que as promessas de aporte de mais dinheiro nas redes finalmente se cumpram.




