Impasse sobre o Marco Civil faz líderes partidários cancelarem votação

nov 13, 2013 by

Os líderes partidários decidiram cancelar as votações do Plenário nesta semana para buscar acordo sobre duas propostas polêmicas que estão na agenda: o marco civil da internet (PL 2126/11) e o piso salarial de agentes comunitários de saúde e combate a endemias (PL 7495/06).

Segundo o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), o projeto do Marco Civil da Internet não está “maduro”. “Há divergência na base, nas bancadas e também na oposição. Isso não impede de votar, porque há a possibilidade de destaques; mas o projeto não está maduro, o relator ainda está fazendo reuniões sucessivas, bem como o próprio governo”, explicou.

Uma das controvérsias é em relação a neutralidade de rede, que obriga provedores de conteúdo e de conexão a tratar os pacotes de dados de forma isonômica, sem dar privilégios para usuários ou serviços específicos.

O PMDB disse não concordar com a neutralidade para provedores, por inviabilizar a venda de pacotes com serviços diferenciados; e o PSDB não está satisfeito com a determinação de que as exceções à neutralidade sejam estabelecidas por um decreto presidencial, e não pelo Congresso. O deputado Carlos Sampaio (SP), disse que restam dúvidas sobre a obrigatoriedade de data centers para armazenamento de dados no Brasil; o tempo de guarda de dados de aplicativos e provedores; e a judicialização da retirada de conteúdo ofensivo da rede; entre outros pontos.

Trancamento

Sampaio criticou o trancamento da pauta por conta de projetos com urgência constitucional do Executivo. Além do Marco Civil, tranca a pauta o projeto que destina ao programa Minha Casa, Minha Vida o valor arrecadado com a multa extra de 10% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) cobrada em caso de demissão sem justa causa (Projeto de Lei Complementar – PLP 328/13). “O que a presidente Dilma quer com essa urgência é impedir o funcionamento do Legislativo”, disse o líder do PSDB.

Chinaglia rebateu as críticas lembrando que o governo tirou a urgência do marco regulatório da mineração (PLs 37/11 e 5807/13) para votar o projeto em outubro, mas até hoje o texto não foi votado na comissão especial. “Estamos tratando o Marco Civil com a urgência que ele tem. Não espero elogios da oposição, somente a verdade”, ponderou.

 

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