Ipea aponta obstáculos ao crescimento da inovação no país

maio 11, 2011 by

 

Segundo o instituto, precisa calibrar a implantação das políticas públicas para acompanhar evolução de outros países.

 

 

Apesar de ter instrumentos modernos e semelhantes aos usados em outros países e do consenso de que é preciso avançar nesse setor, a política de inovação no Brasil tem apresentado resultados mais tímidos do que em outras economias em função, basicamente, da estrutura institucional responsável por sua implantação. Essa é a principal conclusão do estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado nesta terça-feira (10).


 

O estudo cita que a relação entre os gastos empresariais em P&D e o PIB alcançou no Brasil, em 2008, 0,54%, contra um valor de 0,49% em 2005. “O crescimento de 0,05 ponto percentual em três anos é expressivo em termos da série disponível de investimentos em P&D na economia brasileira, mas esse desempenho não foi significativamente superior ao do resto do mundo no mesmo período”, argumenta o economista Ricardo Cavalcanti, um dos autores do estudo. Ele aponta o crescimento de 0,45 p.p. em Portugal, de 0,31 p.p. na Finlândia, de 0,23 p.p. na Dinamarca, de 0,21p.p. nos Estados Unidos e  de 0,18 p.p. na China, também no mesmo período, como os mais expressivos.

 

 

Cavalcanti sugere que, se a meta estabelecida seria passar de uma relação P&D empresarial/PIB de 0,54%, em 2008, para 0,90% em 2014 no último ano requereria que os investimentos empresariais nessa área saltassem de R$ 15,5 bilhões, em 2008, para R$ 34,1 bilhões, em 2014. Ele reconhece que essa meta pode ser considerada ambiciosa, mas lembrou que seria necessária para acompanhar a evolução observada em outros países.

 

 

Segundo Ricardo Cavalcanti, para retirar os obstáculos ao crescimento da inovação, além de uma avaliação sistemática da aplicação dos recursos dirigidos ao setor produtivo – visando eliminar eventuais distorções – é preciso evitar a pulverização de recursos e estabelecer prioridades aderentes às necessidades do país. Mas para isso, defende a definição de critérios transparentes que amparem as decisões adotadas.

 

 

O estudo aponta como obstáculos ao crescimento da inovação no Brasil a dificuldade de instrumentalização de uma visão sistêmica, já que o modelo linear adotado pelo Brasil privilegia a concessão de bolsas de pesquisas e de financiamento à pesquisa básica, mas que não está resultando nos transbordamentos naturais em direção às demais atividades econômicas, como era esperado. Outro obstáculo apresentado é o reduzido incentivo à alocação de recursos no setor produtivo. “Crédito direto para empresas não é bem aceito pela sociedade”, avalia Cavalcanti.

 

 

Além disso, o economista cita a pulverização dos recursos para a inovação, sem eleição de áreas prioritárias mais estruturantes e estratégicas para o desenvolvimento do país, como mais um entrave ao pleno funcionamento das políticas públicas para o setor. Ele disse que há uma tendência natural de se acompanhar o que está acontecendo no mundo, mas em vários casos, nota-se um aparente excesso de áreas muitas vezes pouco aderentes às realidades específicas de cada país.

 

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