Leilão da 4G na Argentina antecipa o do Brasil
O leilão do espectro 4G e remanescentes do 3G na Argentina se apresenta como uma antecipação do que deve acontecer no Brasil no final do mês. Hoje (18) era a data em que os interessados deveriam dar seus lances. Quatro empresas entregaram propostas ao governo argentino. Destas, três possuem laços com operadoras no Brasil.
Quem depositou envelopes na Secretaría de Comunicaciones nesta quinta-feira foram a Claro, do grupo América Móvil, que atua por aqui com mesmo nome; a Personal, empresa de telefonia móvel da Telecom Argentina, controlada pela Telecom Italia (dona da TIM Brasil); a Movistar, da Telefónica; e a Airlink, do grupo Supercanal, que opera TV por assinatura e internet banda larga no mercado vizinho. A Nextel Argentina e a Cablevisión, embora tenham manifestado interesse, não apresentaram proposta.
Aqui no Brasil, a expectativa é de que ao menos Claro, Telefônica Vivo, TIM e Oi participem do leilão na próxima semana. Há especulações sobre vinda de um concorrente estrangeiro e outras que condicionam a participação da Nextel à decisão da Anatel em liberar, ou não, o uso da faixa atualmente disponível para trunking.
Enquanto isso, na Argentina, o governo espera arrecadar entre US$ 2 bilhões e US$ 5,5 bilhões com o leilão. Serão vendidas as bandas de 1700/2100 e de 700 MHz. Também entram na licitação o restante de bandas 3G ainda desocupadas no país, nas frequências 1900 e 850 MHz. O governo vai analisar as propostas recebidas até 31 de outubro, quando divulgará os valores propostos e os vencedores.
Pairam dúvidas, ainda, sobre a efetividade da participação da Personal, da Telecom Argentina. O fundo de investimentos Fintech tenta comprar a operação da Telecom Italia, mas enfrenta lentidão dos órgãos locais para obter aprovação. Uma decisão sobre o tema será emitida apenas em 25 de setembro. Se o governo negar o aval, a empresa não poderá mais concorrer, uma vez que a Telefónica detêm ações na Telecom Italia, o que poderia resultar em predomínio de um player no mercado local.
As operadoras participantes se comprometem a cobrir capitais, corredores nacionais e cidades com mais de 500 habitantes em até cinco anos. Terão de compartilhar infraestrutura para acelerar a implantação do 4G. Deverão, ainda, segundo regras aprovadas em 11 de setembro, pagar a aquisição em dólares trazidos das suas matrizes ou com subscrição de bônus, em dólares, emitidos pelo governo da Argentina. Em qualquer dos casos, o pagamento tem que ser completado até dezembro de 2015.




