Nossa Opinião: Livro em branco contra a gatunice das big techs

mar 31, 2026 by

Nossa Opinião: Livro em branco contra a gatunice das big techs

Aproximadamente 10 mil escritores lançaram um livro composto apenas por páginas em branco. O gesto simbólico é um protesto contra o uso não autorizado de suas obras por empresas de Inteligência Artificial. Até vencedores do Prêmio Nobel de Literatura, como Kazuo Ishiguro, aderiram ao movimento, denunciando o que consideram um verdadeiro roubo de conteúdo protegido por direitos autorais.

Essas empresas utilizam milhares de livros para treinar seus modelos de IA sem autorização dos autores e, muitas vezes, sem qualquer pagamento. O protesto alerta para os riscos dessa prática.

1) Ameaça à criatividade – os autores denunciam a flexibilização das leis de direitos autorais e alertam que o uso indiscriminado de obras pode levar a um futuro de “páginas em branco’, no qual a criatividade humana seja desvalorizada”.

2) Embate judicial – em um caso envolvendo a empresa Anthropic, um juiz dos Estados Unidos negou inicialmente que o treinamento de IA com livros configurasse violação de direitos autorais, criando um precedente que preocupa escritores e artistas.

3) Pressão das big techs – “empresas como Google, Amazon e Microsoft têm realizado forte lobby para evitar regulamentações mais rigorosas sobre Inteligência Artificial.”

4) Impactos no trabalho – “estudos indicam que até 40% das horas de trabalho podem ser afetadas pela IA até 2030, aumentando o temor sobre desemprego e sobre a qualidade do conteúdo digital, que pode se tornar majoritariamente sintético.”

Esse movimento, iniciado na Inglaterra no início de 2026, deve servir de alerta global. Não perdem apenas escritores e pesquisadores. Perde toda a sociedade quando a criação humana é desvalorizada e a riqueza se concentra ainda mais nas grandes
plataformas tecnológicas.
Por isso, iniciativas como as defendidas pela Coalizão Direitos na Rede https://direitosnarede.org.br/inteligencia-artificial/ e pelo Instituto Telecom reforçam que a regulação das plataformas digitais e da Inteligência Artificial deve ter os direitos humanos como base.

Instituto Telecom, Terça-feira, 31 de março de 2026
Marcello Miranda, Especialista em Telecom – Nº 693

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