Nossa Opinião: Não ultrapassem as linhas vermelhas
Segundo o especialista em negócios digitais Pedro Teberga, em artigo publicado no Valor Econômico, surgem alertas importantes sobre os riscos do uso militar da Inteligência Artificial. O autor destaca:
1. “Mais de cem engenheiros e pesquisadores do Google assinaram uma carta dirigida a Jeff Dean pedindo que a empresa estabeleça limites para o uso militar de seus modelos de IA.
2. “O motivo de fundo: quem define os limites éticos de uma tecnologia capaz de vigiar populações inteiras e operar armas sem intervenção humana?”
3. “Eles pedem duas ‘linhas vermelhas’ inegociáveis: que o Gemini não seja utilizado para vigilância de cidadãos nem para pilotar armas autônomas sem supervisão humana.”
4. “Não é a primeira vez que o Google enfrenta essa tensão. Agora, são os próprios pesquisadores e desenvolvedores de IA, aqueles que compreendem profundamente o que a tecnologia pode fazer, que traçam essas linhas vermelhas.”
5. “A questão transcende o Vale do Silício. Estamos diante de um debate que definirá as próximas décadas: a inteligência artificial será governada por princípios democráticos ou pela lógica do poder militar irrestrito?”
6. “Para países como o Brasil, a questão é igualmente urgente. Não temos uma indústria de IA de fronteira, mas somos consumidores e potenciais alvos dessas tecnologias.”
7. “Sistemas de reconhecimento facial já são usados por forças de segurança brasileiras com regulação precária e resultados enviesados, que afetam desproporcionalmente a população negra e podem gerar prisões equivocadas.”
Se até os pesquisadores e desenvolvedores das tecnologias mais avançadas do mundo defendem limites claros para seu uso, é evidente que governos e parlamentos precisam agir.
No Brasil, a Coalizão Direitos na Rede , da qual o Instituto Telecom faz parte, tem alertado para a importância de uma regulação da Inteligência Artificial baseada nos direitos humanos e para a aprovação do Projeto de Lei 2338/2023.
Regular a Inteligência Artificial é essencial para garantir transparência, responsabilização e proteção à sociedade.
Diante de tecnologias tão poderosas, é fundamental afirmar com clareza: existem linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas.
Instituto Telecom, Terça-feira, 17 de março de 2026, No 691
Marcello Miranda, especialista em Telecom




