Nossa Opinião: O Congresso que o Brasil precisa
No Nossa Opinião anterior defendemos que os grandes problemas do país não serão resolvidos apenas com a eleição de um presidente progressista em outubro. É fundamental também eleger um Congresso que reflita o espírito da Constituição Cidadã de Ulysses Guimarães e seja capaz de construir um verdadeiro projeto nacional.
O cientista político Fernando Abrucio alerta para o divórcio entre a eleição presidencial e a representação parlamentar. Sem reduzir essa distância, o Brasil terá dificuldades para enfrentar os desafios do presente e construir um projeto de futuro. O Congresso tem se tornado cada vez mais fragmentado e conflagrado, com parlamentares concentrados em agendas isoladas e pouca capacidade de pensar o país de forma integrada.
O último quadriênio evidenciou esse cenário: cresce o comportamento beligerante e diminui a capacidade de construção coletiva. Veta-se mais do que se apresentam soluções, enquanto temas estratégicos acabam relegados a segundo plano.
Entre eles está a democratização das telecomunicações. É fundamental cobrar dos candidatos à Presidência e ao Parlamento a defesa de uma Inteligência Artificial pública, baseada na cooperação internacional, no multilateralismo e no respeito aos direitos humanos.
Também é necessário avançar na regulamentação da Inteligência Artificial e das grandes plataformas digitais, com uma legislação centrada na dignidade humana e no interesse público.
O futuro do Brasil exige um Congresso comprometido com a democracia e com os interesses da sociedade, e não com os privilégios da grande mídia e das big techs.
Instituto Telecom, Terça-feira, 10 de março de 2026
Marcello Miranda, especialista em Telecom
Nossa Opinião número 690




