Operadoras de banda larga dos EUA querem mudar modelo de cobrança

jan 11, 2012 by

Uma das grandes preocupações da indústria de banda larga nos EUA é conseguir mudar o modelo de cobrança pelo uso dos serviços de Internet. Hoje, a maior parte das operadoras pratica o modelo de um preço fixo por uso ilimitado, mas é crescente o temor de que esse modelo deixe de ser sustentável com a ampliação das ofertas over-the-top e com os usuários consumindo cada vez mais dados, com os preços, por outro lado, caindo em função da concorrência. O assunto foi tema de um painel durante o CES 2012, principal evento de eletrônica de consumo que acontece esta semana, nos EUA.

A melhor definição da situação foi colocada por Carlos Rodriguez, diretor de assuntos regulatórios da Telefónica International, para quem o modelo é insustentável no longo prazo. “É preciso começar a cobrar mais daqueles que usam mais, em benefício da grande massa de usuários que não utilizam tanto a rede”, disse.

Ele foi convidado para dar a visão internacional sobre o problema, mas suas colocações estão perfeitamente alinhadas com a preocupação da principal associação de operadoras de telecom norte-americana, a USTelecom. Para Walter McCormick, presidente da USTelecom, do ponto de vista de gestão de rede, 20% do tráfego vêm de 1% dos usuários, 90% vêm de 40%, enquanto 60% dos usuários são responsáveis por apenas 10% do tráfego. “Ou seja, quem usa pouco está subsidiando quem usa muito, porque no modelo atual os preços são os mesmos para todos”.

Para Steve Posiask, do American Consumer Institute (uma espécie de instituto de defesa do consumidor), o modelo de cobrança pelo uso efetivo é inevitável. Ou seja, os usuários que consomem mais a rede pagarão mais, em benefício daqueles que têm um consumo mais moderado.

Mas Erik Reed, vice-presidente de marketing da Verizon, lembra que é preciso ter um modelo variado, que atenda às necessidades de todos os tipos de clientes. “Os usuários têm padrões de uso de dados muito diferentes e é preciso ter alternativas para atender bem a todos”, disse, lembrando que a Verizon, que tem apostado fortemente na construção de uma rede de acesso FTTx, não está preocupada com a pressão sobre a rede. “Estamos fazendo a nossa parte e construindo uma rede capaz de entregar as demandas de hoje e do futuro. Agora é vender o produto mais adequado para cada perfil de usuário”.

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