UE quer acordo com Brasil sobre segurança na nuvem

out 21, 2013 by

A União Europeia quer iniciar um diálogo com o Brasil para que possam chegar a um acordo sobre o tratamento da nuvem e a segurança da rede, uma vez que tanto o bloco econômico como o país vêm sofrendo com a espionagem sistemática dos Estados Unidos na rede mundial de computadores.

Para iniciar o diálogo, UE e o governo brasileiro têm um workshop marcado para o dia 11 de novembro, em Brasília, para debater computação em nuvem, afirmou Augusto de Albuquerque, ministro conselheiro para Sociedade da Informação e Comunicação da UE no Brasil. “Queremos uma norma comum para ter uma indústria não dependente dos Estados Unidos e sua espionagem sistemática”, declarou, frisando que, apesar do diálogo, o Brasil tem toda a liberdade de seguir seu próprio caminho.

Entre as propostas da UE está o estabelecimento de multa de 2% da receita global de uma empresa de internet, caso as regras de trocas de dados e privacidade sejam violados. “O que acontece é que na hora do problema, essa empresas colocam o chapéu dos Estados Unidos”, declarou.

Outra proposta da UE diz respeito à quem pertence os dados na nuvem. O bloco econômico já sinalizou que pretende obrigar as empresas de nuvem a permitir a migração do conteúdo do usuário, caso este prefira mudar de provedor de conteúdo da internet. “Vamos discutir isso no workshop”, declarou.

Uma norma comum poderia estimular a confiança mútua entre as empresas europeias e as brasileiras, sinalizando que o mercado nacional pode ser explorado pelas empresas do bloco com base neste princípio.

A integração entre UE e Brasil ainda pode ser maior. De acordo com o Albuquerque, está em andamento uma negociação para integrar o projeto Start-Up Brasil, parte do  programa TI Maior, com a versão europeia de estimulo à pequenas empresas de tecnologia. “Teremos ações de colaboração nessa área”.

Neutralidade é única garantia de internet aberta

O representante da União Europeia, que discursou nesta segunda-feira (21) no pré-evento do 15 Futurecom no Rio de Janeiro, para debater o Marco Civil da Internet, organizado pelo Telebrasil. Em sua fala, Albuquerque foi categórico ao afirmar que a União Europeia optou por um grande “sim” à neutralidade de rede porque apenas ela pode garantir a internet tal como conhecemos: um ambiente aberto, competitivo e inovador.

“Nossa ação é dizer que bloquear e estrangular o tráfego peer-to-peer (P2P), o VoIP, ou outro serviço é inaceitável. Sabemos que 21% dos assinantes de redes fixas e 36% dos assinantes do celular são afetados por isso. É um verdadeiro escândalo. [Sem a garantia de neutralidade] não há internet aberta, não há direitos comuns”, frisou.

Para Albuquerque, a aprovação da neutralidade de rede como um princípio não impede que as operadoras diferenciem a sua oferta, mas apenas garante que os serviços contratados sejam entregues. “VoIP é algo que não exige muita banda e nós sabemos que não funciona. Agora tem que funcionar. A operadora pode vender a mais, mas precisa garantir o pacote básico”, declarou.

A solução para a diferenciação de pacotes seria as operadoras apresentarem aos consumidores, em contrato, que tipo de gerenciamento de rede praticam.

 

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