A nova praia da TI

fev 13, 2010 by

TICsApesar da recente crise global, a indústria da TI está com caixa e ideias para fazer a revolução que estávamos esperando.

Gostou do iPad? Muito barulho por nada? A expectativa em torno do produto, a saúde da Apple e a liderança de Steve Jobs significam muito para a informática. Esqueçam o iPad em si e vejamos como o momento da indústria é particularmente positivo.

Como previsto há alguns anos, o crescimento da utilização da TI descola-se da curva de adoção dos computadores tradicionais (PCs, notebooks e netbooks). A onipresente Internet pode ser acessada a partir de múltiplos dispositivos: Smartphones, leitores de livros, GPS, consoles de jogos, eletrodomésticos e o novo segmento que deve surgir com o iPad. Por mais ambiciosas que sejam empresas do porte da Microsoft, Google e a própria Apple, o mercado é grande demais para um ser comandado por uma só.

Entre ameaças, blefes e outras encenações peculiares da esfera dos negócios, cada ator tem o seu nicho e mantém os outros sobre ataque. Sob a perspectiva de consumidores, podemos comemorar uma boa dose de competição, mesmo que o embate dos fornecedores de TI não seja direto.

Ao contrário da tão anunciada convergência, vivemos uma divergência, ao menos por enquanto. A sociedade adquire compulsivamente os diversos “gadgets” que permitem a conexão de uns aos outros, seja por razões pessoais ou profissionais. Considerando-se que as funções desses produtos se sobrepõem, com o tempo, faremos nossas escolhas, que manterão os fornecedores sob pressão.

Por exemplo, um executivo poderia escolher o Blackberry como equipamento preferencial de comunicação, relegando os demais ao uso esporádico. Sorte da RIM, azar da Nokia ou da Microsoft. A escolha será feita de acordo com o seu perfil de uso. As razões de cada um poderão variar, importante é a escolha dos melhores: Os mais confiáveis, os mais ergonômicos, os mais rápidos e a um custo correto.

Dentro desse quadro, velhos e novos atores proporcionam um desafio positivo à Microsoft, que detém um papel chave no mundo do PC. A nova geração de Windows é uma primeira resposta. Enfim, vale o chavão: Num mercado maior, há espaço para todos.

Apesar da recente crise global, a indústria da TI está com caixa e ideias para fazer a revolução que estávamos esperando. A nova geração de produtos nos garantirá plena integração ao universo digital. Ela terá menos bugs, uma interface bastante intuitiva e caberá em todos os bolsos.

Abre-se a oportunidade para que muitos milhões de usuários da velha e da nova guarda sejam seduzidos pela Web e ao consumo de produtos e serviços, sobretudo aqueles ligados ao conhecimento no formato digital. As antigas disputas entre os fornecedores de TI agora são marginais. Guerra dos browsers? Bobagem. Windows X Linux? Secundário. O que importa é a distribuição e remuneração de conteúdo.

Evidências não faltam. O Google está em guerra com editores do mundo inteiro e também num delicadíssimo conflito com a China. A Apple e a Amazon não disputam em torno de um dispositivo de leitura, mas por um modelo de distribuição e remuneração dos seus livros eletrônicos. As discussões mais importantes começam a se voltar para o fim e não para o meio. O futuro de jornais, revistas, livros, filmes e músicas será dirigido pelos grandes nomes da TI.

Encerro afirmando que a antiga previsão de estarmos permanentemente conectados à rede é quase realidade. A boa novidade é que isso não fica restrito aos profissionais do ramo, pois a nova safra de equipamentos vai de encontro às expectativas dos consumidores. Com tamanha massa crítica de clientes, poderemos focar no assunto mais mal resolvido da Internet: a remuneração do conteúdo.

* Fernando Birman é Diretor de Estratégia e Arquitetura de TI do Grupo Rhodia e trabalha em Lyon (França).

 

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