Abinee: “Relação com a China remete à época do Brasil colonial”

abr 14, 2011 by

Nem tudo é festa por conta dos acordos que estão sendo anunciados pelo governo brasileiro com a China. Para o setor eletroeletrônico, o déficit comercial em 2010 cresceu 54% à mais que o ano anterior, quase US$ 12 bilhões. “Esperamos que esta visita de Dilma à China sirva para uma reflexão séria sobre essa situação”, disse o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

 

“Apesar de apresentar uma balança comercial superavitária, a nossa relação com a China, hoje, nos remete à época do Brasil Colonial, quando exportávamos apenas bens primários e importávamos produtos mais sofisticados da metrópole”, disparou o executivo.

Segundo ele, 85% das exportações brasileiras para a China (US$ 30,7 bilhões em 2010) são de soja, minério de ferro e derivados de petróleo, enquanto mais de 95% das vendas chinesas para o Brasil (US$ 25,5 bilhões no mesmo período) são de produtos manufaturados.

 

Poço sem fundo

 

No caso do setor eletroeletrônico a Abinee lembra que o fosso se aprofunda ainda mais. Em 2010, as importações atingiram US$ 12,1 bilhões, 54% a mais que 2009, e as exportações US$ 151 milhões, 10% a menos. “Ou seja, o déficit quase chegou a US$ 12 bilhões, 58% superior a 2009”, diz Barbato.

 

Para o presidente da Abinee, o discurso da presidente Dilma em sua visita à China, afirmando que busca diminuir a discrepância no comércio bilateral entre os dois países, é válido. No entanto, ele lembra que uma relação equilibrada passa pela isonomia competitiva, o que não acontece hoje.

 

“A China usa a moeda desvalorizada como mecanismo de competitividade, como subsídio direto. Em contrapartida, o câmbio brasileiro age de forma oposta, roubando a capacidade competitiva das empresas instaladas no país. Esperamos que esta visita de Dilma à China sirva para uma reflexão séria sobre essa situação”, destacou.

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