CEO da Atlantic cobra políticas para distribuir data centers fora do eixo SP-RJ-CE
O CEO da Atlantic Data Centers, Daniel Gomes, afirmou que a expansão dos data centers no Brasil exige uma política pública clara, com foco na descentralização da infraestrutura crítica e na previsibilidade regulatória. Em entrevista ao Tele.Síntese, ele defendeu a atuação da Anatel no setor, desde que baseada em diálogo com o mercado e voltada à segurança jurídica. “A Anatel tem um quadro super capacitado e competente, técnico. Ela pode ter uma contribuição muito importante, desde que escute o mercado, escute as empresas”, declarou.
A Atlantic está construindo seu primeiro data center, o Recife 1, com 50% das obras concluídas e previsão de início das operações em março de 2026. O projeto, do tipo edge e de varejo, será implantado em três fases, com investimento total de R$ 300 milhões e carga crítica de TI de até 6 megawatts. A primeira etapa, orçada em R$ 50 milhões, está sendo financiada em parte com recursos do BNDES e do Funttel — sendo o primeiro data center a obter esse tipo de financiamento. “Dos R$ 50 milhões, o BNDES está financiando R$ 41 milhões. E o restante são recursos da Um Telecom”, disse. Os sócios da operadora são parceiros também na Atlantic.
O empreendimento está localizado em área de 15 mil m² no Parqtel, em Recife, com capacidade para expansão e integração com outras instalações no futuro. Para Gomes, a escolha da capital pernambucana é estratégica: “Hoje, a gente tem uma centralização muito grande de cabos submarinos e, consequentemente, uma centralização muito grande de data centers. A gente acredita na descentralização das infraestruturas críticas que tem hoje no país”.
Gomes também comentou a necessidade de uma política nacional de estímulo aos cabos submarinos, apontando riscos da atual concentração. “Aqui, no Brasil, tem 16 cabos submarinos que chegam em quatro cidades. Nos Estados Unidos, existem 107 cabos submarinos que chegam em 54 locais diferentes”, comparou. “A centralização de cabos submarinos que tem hoje no Brasil não é boa para ninguém”, completou.
A Atlantic participou da consulta pública sobre política nacional de cabos submarinos e pretende contribuir também com a consulta sobre data centers recém-aberta pelo Ministério das Comunicações. “O sucesso e a competitividade do país e a descentralização das estruturas críticas passam por criar políticas que, de alguma forma, organizem melhor e deem segurança, soberania e oportunidades econômicas”, concluiu.
A Atlantic já fechou contrato com a Eletronet, que vai levar sua rede diretamente ao Recife 1, e com a Eveo, empresa de nuvem. A companhia também mantém negociações com outros provedores e empresas de tecnologia. “A gente quer nascer com pelo menos 10 redes de empresas. É um data center neutro”, explicou Gomes. Além da rede da própria da Um Telecom, com 22 mil km de fibra óptica no Nordeste, o objetivo é formar um ecossistema digital regional.
Rafael Bucco, Tele Síntese, 25 de agosto de 2025




