Em reunião do Conselhão, Felix vê outros setores com os mesmos problemas das telecomunicações

mar 6, 2016 by

Em reunião do Conselhão, Felix vê outros setores com os mesmos problemas das telecomunicações

O presidente do grupo América Móvil no Brasil, José Félix, participou na última quinta, dia 2, da primeira reunião de trabalho do novo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. A reunião tinha como objetivo discutir temas para a formação de uma pauta do chamado Conselhão. Segundo Félix, ficou claro durante a reunião que vários setores da economia padecem dos mesmos problemas para retomarem o crescimento. “Um primeiro tema que me pareceu consensual entre os empresários é a questão tributária, e nesse o setor de telecomunicações é o que mais sofre”, disse Félix a esse noticiário.

Ele também apontou uma grande preocupação de diferentes setores com a questão dos limites a investimentos estrangeiros, “ainda que isso não seja mais um problema para o nosso mercado”. Segundo o presidente da América Móvil, outro ponto comum discutido na reunião foram as amarras regulatórias. “O excesso de burocracia, de regulamentos, tudo isso não estimula nenhum acionista a fazer investimentos, não é produtivo e não traz benefícios ao consumidor. Ao contrário, alguém paga a conta, ou deixa de ganhar. E a falta de rentabilidade é um problema”.

Felix disse que muito se discutiu em relação ao respeito a contratos e segurança jurídica. “No Brasil, infelizmente, as empresas se sentem inseguras em relação à legislação, e parece que isso não é exclusividade nossa, do nosso setor”, diz. A falta de confiança do investidor, diz Felix, “foi algo que veio muito forte” na reunião. “Se não existe confiança nas regras, no governo e no País, ninguém investe”. Mas Felix não acredita que essa seja a principal causa da desaceleração econômica. “Não sou especialista, mas acho que existem problemas sérios de fundamentos, com uma relação de 75% de endividamento sobre o PIB e juros de 15%. Isso vira uma bola de neve. Se não tivermos dinheiro para pagar juros, entra em default”.

Felix explicou que o Conselhão tem uma composição bastante heterogênea, e que por isso mesmo nem todos os pontos são consensuais. “Do meu lado estavam não só outros empresários, mas também sindicalistas, e naturalmente outros setores têm visões diferentes. Na questão tributária, por exemplo, tem gente que discorda. Na necessidade de modernização do Estado tem gente que acha que está tudo bem, que não se deu conta de que o país está quebrado ou coisa mais grave”.

Segundo Félix, independente das dificuldades políticas do governo, a ideia de reunir um conselho para debater questões de desenvolvimento é boa. “Se eu fosse o presidente eu estaria muito perto do Conselho, porque ali está representada toda a sociedade, de empresários a sindicalistas, gente da área de cultura… Para quem quer costurar um acordo com a sociedade, seria um bom caminho”.

A partir desta primeira oficina de trabalho, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social definirá alguns temas centrais para derem discutidos e apresentados nas próximas reuniões com a presidenta Dilma Rousseff.

Samuel Possebon, Convergecom, Sexta-feira, 4 de março de 2016

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