Nossa Opinião: A Faria Lima das telecomunicações
A Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, não é apenas uma avenida: é o símbolo da burguesia e da elite financeira nacional. A recente Operação Carbono Oculto, do governo federal, revelou a parceria entre parte dessa elite e o crime organizado. A subsecretária da Receita Federal, Andrea Chaves, foi direta: “a Faria Lima tem fundos legítimos e é isso que se espera. Mas identificamos 40 ligados ao crime organizado.”
Com ou sem ligação direta com o crime, a elite brasileira sempre representou atraso, escravidão e exploração. Foi assim na reforma trabalhista de 2017, que precarizou ainda mais a vida dos trabalhadores, mesmo em um cenário de aumento de produtividade. Foi assim na defesa da escala 6×1.
E nas telecomunicações? A lógica não é diferente.
Na privatização do Sistema Telebrás vimos o jogo claro da elite: favorecimento a grupos privados, destruição das pesquisas nacionais em telecomunicações, terceirização da força de trabalho e aviltamento salarial.
O ápice desse processo é a destruição da Oi, a maior operadora nacional, e o favorecimento da V.tal, leia-se BTG Pactual. Enquanto a Oi era conduzida de forma desastrosa por fundos especulativos norte-americanos, o grupo V.tal crescia silenciosamente: ficou com a rede de fibra óptica da Oi, com sua base de clientes e até com os bens reversíveis, patrimônio público por definição.
Todo esse processo precisa ser investigado. Como se deu a ascensão meteórica do BTG no setor de telecomunicações? Quais foram os mecanismos de esvaziamento e liquidação da Oi?
Não podemos aceitar a Faria Lima das telecomunicações — um modelo de entrega de patrimônio público, exploração do trabalho e concentração de riqueza.
Instituto Telecom, Terça-feira, 2 de Setembro de 2025
Marcello Miranda, Especialista em Telecom




