Um título contra as políticas públicas

out 16, 2012 by

Semana passada o ministro das Comunicações recebeu o título de “Homem do Ano das Telecomunicações”. Prêmio dado pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) , Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e Futurecom – todas entidades empresariais.

Vamos aos fatos.

 

No dia 8 de outubro, durante a abertura do Futurecom, evento internacional sobre telecomunicações, ocorrido no Rio e Janeiro, o ministro conseguiu fazer um discurso inteiro sem fazer uma menção à necessidade de uma nova legislação para as telecomunicações e muito menos sobre um novo marco regulatório para as comunicações brasileiras.

Falou inclusive, em universalizar a banda larga do país, mas em nenhum momento  chegou, de fato, a cogitar debater a histórica reivindicação da sociedade civil por uma universalização do serviço de banda larga baseada em regime público com  o estabelecimento de metas de qualidade e tarifas acessíveis para a população.
Após a fala do ministro, coincidentemente, seguindo a mesma linha de raciocínio  em outra mesa do evento, o presidente da Anatel, afirmou que o caminho da prestação do STFC (telefonia fixa) unicamente em  regime privado tem que ser levado em consideração.

Desde que tomou posse em janeiro de 2011 o Ministro tem se mostrado distante da sociedade civil, sem aberturas, ou criação de espaços de diálogos para decidir democraticamente o planejamento e as políticas a serem definidas para a promoção da inclusão digital do país, assim como a garantia da igualdade e liberdade de expressão nas comunicações.

Diante deste cenário, as entidades reunidas na “Campanha Banda Larga é um direito seu”, da qual o Instituto Telecom faz parte, cobraram formalmente, no dia 3 de setembro, a criação de uma mesa de diálogo entre governo e sociedade civil. Criado pelo próprio governo com o intuito de exercer esta função em 2010, o Fórum Brasil Conectado, está paralisado e sem nenhuma perspectiva de ser convocado pelo Minicom.

A resposta veio do departamento de banda larga  do ministério e foi evasiva. Enunciou o velho discurso de que “todas as contribuições são bem vindas”, mas não se comprometeu com nenhuma agenda e, ou reunião formal com a sociedade civil. O fato é que o ministério tem as operadoras como interlocutoras privilegiadas e coloca a sociedade civil em segundo plano.

Outra questão grave é a solução do Ministério das Comunicações para alcançar a universalização da banda larga. Tudo leva a crer que o Ministro está convencido de que o regime privado ,ou seja, a competição levará à universalização. Mesmo erro cometido pelo governo FHC em 1998, na época da privatização do setor. A realidade atual das nossas telecomunicações é uma só: nenhum serviço universalizado, tarifas e preços exorbitantes e baixíssima qualidade.

Mais uma vez a sociedade civil busca o seu direito de ser ouvida. No dia 18 deste mês será feita em  Brasília uma  audiência pública para debater a Liberdade de Expressão no Brasil e realizar o lançamento da campanha “Para Expressar a Liberdade – Uma nova lei para um novo tempo”, a favor de um novo marco regulatório para as comunicações. O evento é organizado pela Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom) e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). O Ministro está convidado.

O Instituto Telecom afirma que se o governo federal continuar trilhando este caminho novos títulos virão como reconhecimento do mercado. Mas as políticas públicas em (tele)comunicações ficarão mais comprometidas do que já estão.

 

Artigos relacionados

Tags

Compartilhe

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *