Serviços são o calcanhar de aquiles da indústria
Incentivos à compra de produtos tecnológicos fabricados e desenvolvidos no Brasil são cada vez mais parte inseparável da política industrial. Essa indução não se resume às compras de governo – mesmo o setor privado tem vantagens, e em alguns casos obrigações, nessa linha, como é o caso das telecomunicações.
Seja por margens de preferência e direito de repique em licitações, ou isenção de impostos e metas associadas à aquisição de radiofrequências, a tecnologia nacional é diretriz natural – mesmo a criação de programas de computador está seguindo essa direção.
Esse movimento foi incorporado logo de início na reestruturada Telebras, estatal que antes da privatização fazia esse papel ao garantir encomendas para fornecedores brasileiros de equipamentos. Desde as primeiras compras, a origem nacional foi diferencial na escolha.
Para o diretor técnico da empresa, Paulo Kapp, a aposta não é mero nacionalismo. “Existe o domínio tecnológico que precisamos. Além disso há um motor econômico, que dá retorno. E tem a questão da segurança”, avalia. “A melhor maneira de manter a indústria viva é comprando.”
O nó, admite, está nos serviços. “Os equipamentos produzidos no Brasil são do mesmo nível dos de fora, os preços são os mesmos. Onde está o problema? No serviço de instalação. O que falta às empresas brasileiras é uma estrutura de distribuição, elas não tem capacidade de estar ao mesmo preço em Cuiabá e em Porto Alegre, em São Paulo ou Campo Grande”, completou o executivo.




