Nossa Opinião: A Vivo só deseja sinal de fumaça nas estradas

abr 21, 2026 by

Nossa Opinião: A Vivo só deseja sinal de fumaça nas estradas

É isso que aconteceria se o “entendimento” da Vivo prevalecesse sobre a implantação do 5G nas estradas brasileiras.
Todos sabemos que a comunicação nas rodovias ainda é precária. Na maioria dos trechos, quem entra em uma estrada fica praticamente isolado. Mesmo assim, a Vivo, como outras operadoras, prioriza áreas mais rentáveis.
Quando o tema é interesse público, porém, a empresa tenta contornar suas obrigações. A empresa espanhola tentou se apoiar em um aspecto secundário do leilão da faixa de 700 MHz da Anatel para minimizar a obrigação de cobertura nas estradas.

A Telefônica Vivo chegou a sustentar que bastaria instalar uma única estação rádio-base (ERB) para cumprir a obrigação — interpretação que limitaria significativamente a cobertura.
Dessa vez, a Anatel agiu de forma clara. No Acórdão nº 94, de 14 de abril de 2026, decidiu que a expressão “pelo menos 1 ERB” define apenas uma exigência mínima, e não o limite da obrigação. Ou seja, se uma estação não for suficiente para garantir sinal ao longo do trecho rodoviário previsto, a empresa deverá instalar toda a infraestrutura necessária para assegurar a cobertura.

A decisão estabelece pontos fundamentais:
1. A exigência de “pelo menos 1 ERB” indica um mínimo técnico.
2. A redação não limita a instalação a apenas uma estação por trecho.
3. A obrigação é garantir cobertura efetiva nos quilômetros de rodovia previstos.

A tentativa de reduzir a cobertura não foi fruto de desconhecimento da Vivo, mas de interpretação conveniente. Ainda bem que a agência reguladora reafirmou, desta vez, o interesse público.

Espera-se agora que a Anatel mantenha essa postura e que as operadoras cumpram integralmente suas obrigações. As estradas brasileiras precisam de conectividade real, não apenas de “sinal de fumaça”.

Instituto Telecom, Terça-feira, 21 de abril de 2026
Marcello Miranda, especialista em Telecom – Nº 696

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