Nossa Opinião: Eleições, regulação e inovação

jun 23, 2026 by

Nossa Opinião: Eleições, regulação e inovação

Temos defendido a regulação da Inteligência Artificial. Porém, big techs como Google, Meta, X e Microsoft, apoiadas por aliados no Congresso, resistem ao debate alegando riscos à liberdade de expressão e à inovação. A experiência europeia mostra o contrário.

Segundo Renate Nikolay, vice-diretora-geral da Comissão Europeia, a regulação fortalece a confiança, promove inovação sustentável, equilibra liberdade de expressão, competitividade e proteção dos usuários, e estabelece responsabilidades para as empresas de tecnologia. O princípio é simples: o que é ilegal no mundo físico também deve ser ilegal no ambiente digital.

O objetivo não é censurar conteúdos, mas garantir transparência, responsabilidade e redução de riscos sociais. A ausência de regulação favorece grandes plataformas e grupos políticos de extrema direita que se beneficiam da desinformação, do discurso de ódio e da falta de transparência.

Renate destaca ainda a importância de proteger processos eleitorais, combater campanhas coordenadas de desinformação e ampliar a transparência dos algoritmos de recomendação. Afinal, algoritmos não são neutros: refletem interesses econômicos e políticos de quem os controla.

Quem se opõe à regulação em nome da inovação, na prática, defende a concentração de poder em poucas empresas capazes de influenciar o que milhões de pessoas veem, leem e até votam. O debate é sobre garantir controle democrático sobre esse poder.

Instituto Telecom, Terça-feira, 23 de junho de 2026
Marcello Miranda, Especialista em Telecom – Nº 704

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