Nossa Opinião: Em 2026, eu escolho não morrer
Os anos de 2020/2021 foram terríveis. A pandemia de Covid-19 vitimou cerca de 700 mil vidas no nosso país e expôs o Brasil a uma de suas maiores tragédias. Tivemos um presidente que negava a Ciência, questionava as vacinas, ridicularizava o sofrimento das vítimas e demonstrava pouca ou nenhuma empatia diante da dor coletiva. Foi, sem dúvida, um dos períodos mais tristes de nossa história recente.
Esse cenário parece dialogar com os versos de Belchior em sua canção Sujeito de Sorte, de 1973: “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.” Morremos um pouco diante das perdas, do medo, da intolerância e dos obstáculos criados por um projeto político que desprezava a ciência, a educação e a solidariedade. Mas em 2026, escolho não morrer.
Não morremos porque começamos a superar aqueles obstáculos a partir de 2023. Voltou ao Executivo Federal um governo que simboliza a diversidade brasileira desde a subida da rampa do Palácio do Planalto: uma catadora de materiais recicláveis, um líder indígena Kayapó, um ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, uma criança negra, a cachorra Resistência. Uma imagem de pluralidade e inclusão.
É um país que volta a apostar na ciência, na educação, na saúde pública, no respeito às diferenças e na defesa da democracia.
Superar aquele período não significa, entretanto, que os desafios tenham terminado. Hoje, enfrentamos novas formas de concentração de poder e novos riscos para a democracia.
Como alerta o engenheiro e especialista em Comércio Exterior e Finanças Internacionais Valter Branco, nunca na história grupos econômicos concentraram simultaneamente tamanha capacidade computacional, volume de dados, influência política e acesso a tecnologias potencialmente estratégicas.
Por isso, colocamos em primeiro lugar os direitos humanos e a verdade. A inteligência artificial, como outras tecnologias capazes de influenciar a informação, o debate público e até o comportamento político, deve permanecer subordinada aos direitos humanos e aos valores democráticos.
Chegamos a 2026 sem disposição para morrer. Não morrerão nossos sonhos, nossas lutas, nossa determinação e nossa esperança.
A democracia brasileira continua viva. Mesmo atacada por campanhas de desinformação, pelo discurso de ódio e por setores da extrema direita que se beneficiam da mentira, ela resiste. Não somos máquinas e não aceitaremos ser controlados por elas, nem de forma explícita nem de forma invisível.
Vivemos em um mundo de algoritmos, deepfakes e inteligência artificial. Nossa resposta será ampliar a participação crítica da sociedade, fortalecer a educação, combater o racismo, a misoginia e todas as formas de discriminação. A tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.
Por isso, os versos de Belchior seguem atuais. Depois de tudo o que enfrentamos, podemos afirmar com convicção:
“Ano passado eu morri. Mas esse ano eu não morro.”
Obs: Este Nossa Opinião encerra o primeiro semestre de 2026. Voltaremos no dia 11 de agosto de 2026.
Instituto Telecom, Terça-feira, 7 de julho de 2026
Marcello Miranda, especialista em Telecom – Nº 706




