Vivo e TIM teriam mais a ganhar com V.tal, aponta análise

set 15, 2026 by

A Vivo e a TIM teriam mais a ganhar dentro de suas estratégias de expansão da rede de fibra óptica em uma eventual consolidação com a V.tal, mostra estudo realizado pelo serviço de dados Radar da Telecom, com base em uma potencial transação, especulada pela XP Investimentos em recente relatório.

Segundo a análise do Radar da Telecom, a Vivo, cujo backbone próprio de fibra óptica alcança 1.130 municípios, poderia estender a rede para mais 1.816 cidades com a aquisição da V.tal, totalizando 2.946 – a infraestrutura da empresa de rede neutra passa por 2.272 municípios.

Na prática, a rede da V.tal pouco se sobrepõe à da Vivo. Desse modo, “o encaixe é altamente complementar e reforçaria a liderança em convergência”, indica o relatório do Radar.
Já a TIM é a que tem a menor rede de fibra (845 municípios) entre as grandes teles. Com a V.tal, a operadora entraria em mais 1.691 cidades. Assim, poderia oferecer o serviço de banda larga fixa via fibra óptica em 2.536 cidades.

“Partindo da menor base, é a de maior potencial relativo de transformação”, pontua o relatório.

Já o backbone próprio da Claro passa por 1.782 municípios (a análise não leva em conta a infraestrutura da Desktop, provedor cuja aquisição acaba de receber aprovação do Cade).

Somando forças à V.tal, a Claro entraria em 1.118 cidades, totalizando 2.846 cidades com cobertura de fibra óptica.

Na avaliação do Radar, o ganho de capilaridade para a Claro é o menor porque em “metade das cidades da V.tal ela já tem (presença)”. Contudo, a transação geraria valor como forma de acelerar a migração tecnológica, uma vez que a fibra representa cerca de 30% dos acessos de banda larga da tele, com a maior parte concentrada em HFC (misto de fibra e cabo coaxial).

Adições na banda larga
O Radar da Telecom também aponta que uma eventual aquisição da V.tal poderia incrementar em 30% as adições de assinantes de banda larga de qualquer operadora.

Inclusive, a plataforma apresenta cenários de crescimento de base, levando em conta o efeito positivo da incorporação da rede neutra (+30%) mais a aceleração do mercado de FTTH ao mês (2,5%).

A TIM, por exemplo, poderia passar de 119,6 mil adições de base em 12 meses (julho de 2026 usado como referência) para 178,8 mil ativações.

Já a Vivo registra um incremento de 829,5 mil acessos em 12 meses. O montante poderia saltar para 1,24 milhão ao ano.

A Claro, por sua vez, reporta 1,02 milhão de novos acessos em fibra no acumulado de 12 meses (parte significativa se refere à transição de HFC para a tecnologia óptica). Com a V.tal, as adições ao ano em fibra óptica poderiam somar 1,52 milhão, conforme a projeção.

Quem teria mais a ganhar
Na avaliação do Radar da Telecom, os dados mostram que “a V.tal é muito mais complementar à Vivo e à Tim do que à Claro”.

Além disso, a plataforma aponta que para a TIM, empresa que tem a menor rede própria entre as três teles, uma eventual consolidação com a empresa de rede neutra “é a diferença entre disputar o Brasil interior da fibra ou ficar de fora”.

A XP Investimentos, vale lembrar, indicou que uma eventual compra da V.tal poderia ficar entre R$ 15 bilhões e R$ 30 bilhões. O processo de fusão e aquisição (M&A), provavelmente, exigiria aumento de endividamento por parte da compradora.

Vale destacar que não existe, até o momento, nenhuma sinalização de nenhuma das empresas (V.tal, Vivo ou TIM) sobre qualquer negociação em curso. Tanto as análises da XP quanto da Radar da Telecom são, nesse momento, apenas especulativas.

Eduardo Vasconcelos, Teletime, 14 de setembro de 2026

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