Nossa Opinião: Ainda estamos aqui, na luta!
O resultado do primeiro turno não pode ser recebido com euforia ingênua nem com derrotismo.
A extrema direita avançou e conquistou espaços importantes no Congresso, nos governos estaduais e nas assembleias. O Senado, particularmente, acende um forte sinal de alerta.
Mas uma eleição não se resume ao tamanho das derrotas. Ela também revela a força daqueles que continuam de pé.
Cinquenta e quatro milhões de brasileiros e brasileiras votaram defendendo a democracia, os direitos sociais e a soberania nacional. Chegamos até aqui depois de uma história que não foi fácil.
Quem viveu a ditadura sabe que democracia não é presente: é conquista. Vieram depois Collor, o impeachment de Dilma, a prisão de Lula e anos de ódio, mentira e negacionismo.
Lula conhece a derrota: perdeu três eleições antes de chegar à Presidência. Poderia ter desistido. Não desistiu. E essa talvez seja a principal lição deste momento: perder uma batalha não significa perder a história.
Precisamos compreender por que a extrema direita continua avançando.
É verdade que as bets, as big techs , os grandes meios de comunicação apoiam o bolsonarismo. Está evidente. Mas não basta atribuir tudo às redes sociais. Existe também uma disputa profunda de valores, interesses e projetos de sociedade. Há bolhas de desinformação e setores econômicos que defendem seus interesses acima das necessidades da maioria.
Precisamos compreender essa realidade sem arrogância e sem desprezar quem pensa diferente. Mas também não podemos esquecer o que está em jogo: saúde, educação, emprego, direitos e democracia. O resultado do primeiro turno exige reflexão, mas também reação.
Há milhões de brasileiros dispostos a resistir e defender outro projeto para o país. Lembremos que nessa eleição em SP, Erika Hilton teve mais de 1,5 milhão de votos. A mulher mais votada da história para a Câmara.
O segundo turno não é uma formalidade: é uma nova disputa. Poucos pontos percentuais podem ser modificados por cada conversa, cada voto e cada pessoa mobilizada. Não precisamos transformar Lula em mito; precisamos comparar projetos, resultados e perspectivas para o futuro. Sem ressentimento, sem desistência e sem baixar a cabeça.
A extrema direita avançou, mas a história continua em disputa. Ainda estamos aqui e vamos continuar na luta.
Instituto Telecom, Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Marcello Miranda, especialista em Telecom




