Oi pressiona Portugal Telecom por acordo
Em processo de fusão, Oi e Portugal Telecom (PT) vêm travando uma verdadeira briga nos bastidores. Em jogo, está o vencimento na próxima semana de € 897 milhões de títulos comprados pela PT da Rio Forte, empresa do Grupo Espírito Santo (GES), que é dona de 10% da empresa de telefonia portuguesa e, segundo analistas, passa por dificuldades financeiras.
O negócio, feito há três meses, não foi informado à companhia carioca, pegando de surpresa os seus controladores: Andrade Gutierrez, La Fonte, BNDES e os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef.
Com a polêmica operação, as ações da Oi estiveram entre as maiores quedas na Bolsa de Valores de São Paulo ontem: os papéis ordinários (ON, com direito a voto) caíram 5,82% e as PNs (preferenciais, sem direito a voto) recuaram 5,68%
Segundo uma fonte a par das negociações, a ordem entre os acionistas da Oi é clara: “a PT vai ter de pagar a dívida e honrar os compromissos firmados com a Oi”.
BNDES CRITICA A OPERAÇÃO
Na terça-feira, o BNDES emitiu uma nota informando que “não considera nenhuma alternativa que não seja a preservação dos interesses dos acionistas da Oi”. O banco classificou ainda as compras dos títulos feitas pela PT como “inconsistentes com padrões mínimos de boa governança corporativa”.
Do outro lado, ressalta uma outra fonte ligada às negociações, a PT tenta trabalhar numa proposta para rever a relação de troca e entrar com menos recursos na fusão com a Oi do que os R$ 5,7 bilhões que haviam sido acordados. Como o risco de calote da Rio Forte é real, a PT entraria com R$ 3 bilhões.
– Isso é muito ruim. É uma dívida que não estava mapeada. A PT vai ter que pagar a dívida e honrar os compromissos. O Grupo Espírito Santo tem ativos e vai ter que vender. Os acionistas da Oi não têm porque colocar mais dinheiro . Isso está descartado. Se tiver calote, a PT vai ter que indenizar os acionistas da OI -disse uma fonte ligada ao bloco de controle da companhia carioca.
Do outro lado, a empresa portuguesa tenta costurar um novo acordo, entrando com menos recursos na companhia. Uma fonte ressalta que a nova Oi (batizada de CorpCo), em vez de nascer com R$ 13,96 bilhões -conforme informado no prospecto da oferta pública pela telefônica brasileira, pode começar menor.
– Ela pode nascer menor, mas isso não inviabiliza a nova companhia -diz uma das fontes ligadas aos controladores da PT que participa da negociação.
Entre a Oi e a PT está Zeinal Bava, executivo que preside a companhia carioca e a empresa portuguesa de telecomunicações. Acionistas da Oi estão apoiando Zeinal, que também não sabia do negócio, segundo essas fontes.
A nota do BNDES também mostra posição semelhante, na qual renova a “confiança na atual gestão da companhia”. Segundo analistas do mercado, o Grupo Espírito Santo já estaria tentando vender ativos para fazer caixa. Procuradas, Oi, PT e Grupo Espírito Santo não se pronunciaram.




