Oi eleva o tom, vai à CMVM e diz que Henrique Granadeiro mentiu sobre RioForte
A dois dias da assembleia decisiva que decidirá pela aprovação ou não da venda dos ativos da PT para a francesa Altice por 7,4 bilhões de euros, o presidente da Oi, Bayard Gontijo, encaminhou uma carta nesta segunda-feira, 20/01, à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários de Portugal para contestar as declarações do ex-presidente da Portugal Telecom, Henrique Granadeiro, que, entre outras coisas, defendeu o fim da fusão entre as operadoras portuguesa e brasileira.
Na carta, que o portal Convergência Digital teve acesso, a Oi busca desmentir as informações dadas por Granadeiro de que a tele brasileira estava ciente e até teria participado das movimentações financeiras em torno da RioForte, que provocaram um calote de 897 milhões de euros e deflagraram a cisão e a ruptura dos planos de negócios entre Oi e Portugal Telecom.
“O senhor Dr. Henrique Granadeiro trouxe ao conhecimento da CMVM e do exmo. presidente da assembleia informação falsa, falsidade essa que não podia ignorar em virtude da sua condição de presidente da comissão executiva e do conselho de administração da PT SGPS e participante confesso do episódio da Rioforte”, sustenta a carta de Bayard Gontijo à CMVM.
A carta é dura e diz que Henrique Granadero fez uma afirmação falsa ao dizer que a OI sabia da subscrição do papel comercial da Rioforte, na pessoa do seu ex-presidente, Zeinal Bava, também CEO da PT Portugal. Granadeiro argumentou que a subscrição foi feita pela PT Portugal, que teria a gestão de tesouraria. Segundo ainda Granadeiro, a PT SGPS, à qual presidia, já não teria tido responsabilidade na renovação de abril.
A Oi foi direta na resposta à CMVM: “O que aconteceu foi que 697 milhões de euros foram subscritos pela PT International Finance BV, sociedade que era detida, à época, 100% direcamente pela PT SGPS, em 10, 20 e 21 de Fevereiro de 2014 e renovados em 15 e 17 de abril de 2014. E os restantes 200 milhões de euros foram subscritos pela PT SGPS em 13 de Fevereiro de 2014 e renovados em 15 de abril de 2014”.
O presidente da Oi finaliza a carta reportando que ‘tomará os procedimentos judiciais sancionatórios que se justificam atenta a ilicitude de sua conduta, agravada pelo relevo mediático da sua personalidade, pelo desempenho das funções de presidente do Conselho de Administração da PT SGPS durante largos anos e pelos gravíssimos danos que está a causar à entidade signitária e aos seus acionistas”.




