Entidades de defesa do consumidor apoiam medida da Anatel

jul 20, 2012 by

Para Proteste, suspensão não basta. Entidade pede abatimento no preço dos pacotes contratados

Entidades de defesa do consumidor como o Procon-SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Associação de Consumidores Proteste divulgaram nesta quinta-feira (19) notas apoiando a medida cautelar da Anatel que proibirá a venda de novos chips e minimodem a partir de segunda-feira. A Proteste, no entanto, frisou a necessidade de medidas para os que já têm o serviço e não estão conseguindo usá-lo por falha na prestação: “nesse caso, deve ser assegurado o abatimento no preço dos pacotes contratados”.


A associação de consumidores ainda criticou a demora da Anatel em tomar uma posição em relação à má qualidade do serviço prestado pelas operadoras de telefonia móvel. “Precisou a inciativa do Procon do Rio Grande do Sul suspendendo a venda para que a Agência agisse”, disse o Proteste, referindo-se à paralisação das vendas de todas as operadoras em Porto Alegre desde segunda-feira. A área de serviços públicos, telecomunicações representou 81% das intermediações feitas pela Proteste para solucionar problemas de consumo dos associados no ano passado.

O Idec defendeu a decisão da Anatel, considerada extrema por alguns. “Os problemas na prestação dos serviços de telefonia móvel precisam de uma resposta à altura do seu impacto e recorrência na vida do consumidor. A decisão da Anatel em suspender a venda de chips em alguns estados brasileiros sai da lógica de aplicação de multas que muitas vezes não são pagas e avança em exigir maior planejamento e investimentos por parte das operadoras”, afirma a advogada do Idec, Veridiana Alimonti.

Para ela, no entanto, é fundamental, porém, que a agência mantenha a postura firme também no acompanhamento da implementação destes planos de investimento e estabeleça sanções efetivas em caso de descumprimento.

Já o diretor executivo da Fundação Procon-SP, Paulo Arthur Góes, preferiu apenas defender a agência reguladora contra as críticas das operadoras. “Trata-se de medida de fundamental importância para o consumidor, que viu o veloz crescimento desse mercado, não acompanhado da melhoria da prestação do serviço. O papel da agência reguladora é assegurar infraestrutura eficiente nas telecomunicações, para que o setor seja capaz de oferecer serviços adequados sem falhas”, declarou.

O Procon-SP informou que no primeiro semestre de 2012 recebeu 12.215 queixas sobre telefonia móvel, maior que o atendimento registrado no mesmo período do ano passado que foi de 9.402 queixas. E em pouco mais de um ano e meio o órgão autuou as empresas do setor em mais de R$ 37 milhões.

Plano de metas Procon
As empresas de telefonia móvel foram convocadas pelo Procon-SP a apresentar um “Plano de Metas”, com o objetivo de reduzir o número de queixas do consumidor, além de aumento de solução dos casos já registrados no órgão.

A TIM, sobre a qual foram registradas 2.691 reclamações, se comprometeu em reduzir em 1% e solucionar 75% dos casos contra os 74% que consegue resolver hoje. A proposta da Oi, que teve 2.448 queixas, é reduzir esse número em 2% e alcançar solução de 75% dos casos registrados pelos consumidores, contra os atuais 72% casos resolvidos.

A Claro, por sua vez, não apresentou planos para diminuir as reclamações, mas garante que solucionará 84% dos casos. Hoje 83% são resolvidos quando intermediados pelo Procon-SP.

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