“Anatomia do Caos”
O que significa caos? Nas telecomunicações, ele pode ser visto nos postes tomados por fios abandonados, na situação da Oi, entregue a uma intervenção judicial enquanto vende seus ativos sem garantir o pagamento das indenizações dos trabalhadores, e também na expansão da inteligência artificial, que aprofunda desigualdades econômicas e sociais.
E Anatomia? Segundo o site sinonimos.com.br Anatomia pode ser entendida como análise, estudo, exame.
Então, Anatomia do Caos pode ser compreendida como uma análise da confusão, da desordem.
A diretora Dandara Ferreira, a mesma de Meu Nome é Gal, explicita que o documentário “Anatomia do Caos”, dirigido por ela, “nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta”. Analisa o caos planejado pelo Governo Bolsonaro, durante a pandemia da COVID-19.
Como afirma Dandara, “o documentário expõe as ações do governo e do presidente que resultaram em tragédias jamais vistas na história brasileira, como a crise da falta de oxigênio em Manaus que causou centenas de mortes de pessoas que agonizaram por asfixia diante da incompetência do governo federal de garantir o abastecimento do insumo”.
Para a diretora, “não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção narrativa em curso, uma política de deboche”.
O documentário chega aos cinemas em 2 de julho e apresenta elementos para compreender como decisões políticas, negacionismo e desinformação contribuíram para que o Brasil alcançasse a marca de 700 mil mortos na pandemia.
Nada é por acaso. O lançamento ocorre no mesmo mês em que se completam 28 anos da privatização do Sistema Telebrás, marco da implantação do modelo neoliberal nas telecomunicações brasileiras. Um processo que prometeu universalização, competição e qualidade, mas que deixou como herança concentração econômica, precarização do trabalho, abandono da infraestrutura e empresas em colapso, como a Oi.
Faltando poucos meses para as eleições brasileiras, é necessário refletir sobre o legado deixado pelo neoliberalismo, tanto nas telecomunicações quanto na política. O caos retratado no documentário vai além de um registro da pandemia. Ele também ajuda a compreender a construção do ódio, da mentira, do negacionismo. Valores explicitados na extrema direita brasileira e mundial. A verdadeira “Anatomia do Caos.”
Não esqueça: dia 2 de julho lançamento do filme: “Anatomia do Caos”
Instituto Telecom, Terça-feira, 9 de junho de 2026
Marcello Miranda, especialista em Telecom – Nº 703




