Recado a uma consultora

jul 24, 2018 by

As grandes operadoras (Oi, Vivo, Claro) e seus agentes em todo o mercado, leia-se, as grandes empresas da chamada mídia especializada em telecomunicações e as consultorias que bebem na mesma água repercutem o que interessa a essas empresas. Descrevem e interpretam a realidade da forma que lhes agrada.

 

Em evento recente na Anatel uma das consultoras da LCA afirmou que a queda do Brasil no índice de competitividade do Fórum Econômico Global, da posição 42 para 80, se deveu a “deterioração no cenário regulatório e institucional” em nosso país.

Em relação ao cenário institucional é estranho que essa consultoria de telecomunicações reclame. Não foram as operadoras de telecomunicações uma das principais artífices do golpe sob o qual estamos vivendo, desde a ascensão de Temer ao poder?

Em relação ao campo regulatório destaca ela o ponto referente aos bens reversíveis e a “insegurança regulatória, aliada a uma ausência completa de políticas públicas voltadas para a expansão da infraestrutura” de telecomunicações. Observe que ela reclama da não aprovação do PLC 79/16 que doava esses bens às operadoras supracitadas.

De quem é a culpa de termos privatizado um setor estratégico como o das telecomunicações e destruído uma grande empresa, Telebrás, que garantiu um crescimento espetacular do setor entre 1972 e 1998, ano da privatização? Os governantes da época e as atuais “donas” do setor. Essas concentram mais de 80% de todos os serviços de telecom em suas mãos.

Quem são os culpados pela falta de investimentos em banda larga? Não cansamos de repetir que apenas em 5% da rede externa foi implantada fibra ótica. Há mais de duas mil cidades nas quais a banda larga não atinge cinco mega bits por segundo. A densidade (número de acessos por 100 habitantes) de banda larga fixa é de 13%, o que significa que de cada 100 pessoas somente 13 têm direito a esse serviço. Onde estão as operadoras que só se preocupam em investir nas áreas mais ricas do país?

Num ponto concordamos com a consultora da LCA, “o setor de telecomunicações é essencial para dar à economia brasileira a competitividade e a produtividade necessárias”. Mas, não pode ser visto, apenas, como elemento que dá lucro às operadoras. Tem que ser um instrumento de democratização e universalização das telecomunicações brasileiras. Que fomente a educação, a saúde e a segurança públicas.
Instituto Telecom, 23 de julho de 2018

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