Nossa Opinião: Vote na independência! Vote no decálogo digital.
Celebramos mais um aniversário da chamada independência do Brasil às vésperas de eleições decisivas para o país. No livro “O Sequestro da Independência: Uma história da construção do mito do Sete de Setembro”, Lilia Moritz Schwarcz, Carlos Lima Junior e Lúcia Klück Stumpf analisam como esse evento foi transformado na narrativa de uma transição “pacífica” liderada por um herói único (D. Pedro I), mascarando os conflitos violentos e o desejo das elites de manter a ordem escravagista. Trata-se de uma história oficial que escondeu as revoltas e minimizou as lutas populares.
Ao longo da nossa história, os processos eleitorais também passaram por sucessivas mitificações para derrotar os projetos progressistas: Jânio Quadros e o mito do “Homem da Vassoura”; Fernando Collor e o “Caçador de Marajás”; e, mais recentemente, Jair Bolsonaro, batizado de “o Mito”. Como apontam os autores da obra, as imagens de Bolsonaro — montado em cavalos, em motociatas ou em desfiles civis-militares — buscavam reproduzir conscientemente a pose de soberania imortalizada em quadros ufanistas do Império, como a tela de Pedro Américo.
Votar na verdadeira independência, hoje, significa denunciar esse sequestro contínuo, articulado pela burguesia financeira, pelos grandes meios de comunicação e pelas big techs. É um sequestro que ataca nossos direitos, a Constituição, os símbolos nacionais e as conquistas dos trabalhadores.
A verdadeira batalha política exige colocar no centro do debate a jornada 5×2, a recuperação dos direitos trabalhistas, a defesa da ciência contra o obscurantismo, a preservação da nossa soberania sobre as terras raras, a garantia da escola pública e laica e, fundamentalmente, a soberania digital.
Essa última se consolida na universalização da banda larga com conexão significativa, no fortalecimento da participação popular e na adesão ao Decálogo para Soberania Digital. Em um cenário de crescentes disputas geopolíticas e tecnológicas, o manifesto defende a conquista da autonomia sobre todas as camadas da infraestrutura — da energia e hardware às plataformas e modelos de inteligência artificial —, superando a dependência externa para colocar a inovação a serviço da justiça social, do bem comum e da preservação ambiental.
O apoio do Governo Federal ao Decálogo Digital fortalece o nosso projeto de país. Votar no decálogo é escolher a nossa real independência, em oposição direta à subserviência defendida pelo herdeiro do mito.
Instituto Telecom, Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Marcello Miranda, especialista em Telecom – Nº 711




