Competição móvel acirrada influencia estratégias de Vivo e TIM, diz XP
O mercado financeiro mudou a forma como olha para o setor de telecomunicações, dando mais atenção à competição no segmento móvel e às estratégias adicionais de crescimento, em detrimento de indicadores como capex e geração de caixa.
É o que diz a XP Investimentos, em recente relatório sobre Vivo e TIM, operadoras de grande porte com ações listadas na B3 – a Claro, vale lembrar, não negocia ações na bolsa brasileira.
Segundo a análise, a estratégia da Vivo permanece praticamente inalterada no curto prazo, com foco em convergência, redução de churn (taxa de evasão de clientes) e no fortalecimento de um ecossistema de monetização de assinantes, embora seja difícil apontar se é o suficiente para um cenário mais competitivo.
Já a TIM passou por mudanças mais significativas em seu portfólio de serviços, buscando convergência e novas frentes de crescimento, haja vista que a operação móvel enfrenta uma concorrência mais acirrada para reter a base de clientes.
Vivo
Na avaliação da XP, a Vivo já está bem posicionada no que diz respeito à convergência de serviços. Já a vertical de serviços corporativos (B2B) e o processo de vendas de ativos, especificamente os relacionados à transição do regime de telefonia fixa, ainda podem se tornar novos motores do crescimento da empresa.
Contudo, segundo o relatório, ainda há preocupações sobre a capacidade de a operadora manter os indicadores em alta em um cenário de competição mais acirrada.
“O baixo churn, a sólida adição de clientes pós-pagos e a estratégia de convergência têm sustentado essa resiliência. No entanto, cresce a preocupação de que futuros reajustes de preços possam ser mais difíceis de implementar diante de um ambiente promocional mais intenso e da maior disponibilidade de planos com preços mais baixos”, diz a XP.
Para os analistas da XP, a dúvida reside em saber se a Vivo vai conseguir manter o crescimento no setor móvel “sem aumentar a intensidade comercial ou comprometer a política de preços”.
A instituição financeira também lembra que investidores ainda esperam ganhos de eficiência por parte da operadora, incluindo iniciativas de digitalização, serviços ao consumidor por meio de Inteligência Artificial (IA) e renegociação de contratos de aluguel de torres.
TIM
No caso da TIM, o relatório destaca que a operadora tem buscado trabalhar com um portfólio mais diversificado, tendo em vista a pressão sobre o segmento de telefonia móvel. Inclusive, a XP afirma que o crescimento do serviço móvel se tornou a maior preocupação a respeito dos negócios da TIM em 2026.
Nesse sentido, os analistas ressaltam que as novas ofertas móveis da TIM – o plano Controle Fit e a parceria com o PicPay – ampliam o mercado endereçável da tele, mas “trazem risco de canibalização” (quando um novo produto “rouba” as vendas de uma oferta que já existia).
De todo modo, a XP salienta que a operação de banda larga, sobretudo após a retomada do controle da I-Systems, deixou de ser uma opção para virar “uma segunda avenida de crescimento” para a operadora.
Do ponto de vista dos investidores, agora a atenção recai sobre adesão, absorção de capex, fusões e aquisições (M&A) e possíveis efeitos positivos da operação de fibra óptica na retenção de clientes móveis.
“A leitura dos resultados da TIM é mais cautelosa. A necessidade de uma resposta comercial mais ampla sugere que a pressão competitiva se tornou mais relevante”, indica a XP.
O relatório ainda sinaliza que a TIM tem incre1mentado as ofertas corporativas, especialmente após a compra da V8.Tech, mas pontua que “as receitas B2B ainda são pequenas para compensar a desaceleração no segmento móvel”.
Eduardo Vasconcelos, Teletime, 31 de agosto de 2026




