Nossa Opinião: A democracia e as mentiras do capitão

dez 18, 2018 by

Nossa Opinião: A democracia e as mentiras do capitão

Uma cantilena repetida à exaustão volta com toda a força às vésperas da posse do novo governo: a universalização das telecomunicações estaria garantida se as grandes operadoras (Vivo, Oi e Claro) ficassem livres de todas as obrigações regulatórias descritas nos contratos de concessão. É isso que propõe o PLC 79/16.

 

Recentemente, o deputado federal filho do futuro presidente esteve nos EUA e foi cobrado da aprovação do projeto, sob o argumento de que essa medida se faz necessária para “o Brasil ter atratividade de investimentos”. Pura falácia que só comprova a subserviência do capitão ao governo americano.

 

Na mesma linha, o futuro ministro de Ciência e Tecnologia já havia dito que inclusão digital e universalização seriam consequências da competição. Mais um fake news, pois sem política pública não há universalização. O neoliberalismo, com a mão invisível do mercado, já mostrou que só se interessa pelas áreas mais lucrativas.

 

As ideias do capitão presidente devem ter impactos desastrosos para a sociedade. Aprofundar a reforma trabalhista – “quanto mais informalidade melhor” e fazer a reforma da Previdência reforçando a mentira de um déficit que jamais existiu. E, se realmente houvesse tal déficit, bastaria ao governo cobrar a dívida previdenciária dos grandes devedores para o sistema reaver um trilhão de reais.

 

A proposta de reforma da Previdência, a ser analisada no próximo ano, será baseada no modelo de capitalização adotado no Chile. O sistema chileno gerou redução no valor de aposentadorias e pensões e provocou o aumento no número de suicídios de idosos com mais de 70 anos.

 

Este é o último Nossa Opinião de 2018. Retornaremos em 2019, um ano que não será fácil para a democracia e os direitos humanos. Mas continuaremos lutando ao lado da sociedade e dos trabalhadores contra a destruição dos direitos trabalhistas, contra o fim da previdência pública e contra o PLC 79. Queremos a banda larga em regime público, única forma de termos esse serviço para todos, com qualidade e tarifas acessíveis.  Se queremos uma sociedade democrática não podemos abrir mão dessas questões.  Chega de mentiras.

 

Instituto Telecom, Terça-feira, 18 de dezembro de 2018

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