Nossa Opinião: Educação para derrotar o banditismo social e digital.
Há um ano, a jornalista e âncora da TV 247, Sara Goes, informava que houve, no Ceará, “uma aula prática de como transformar um partido político, leia-se Partido Liberal (PL), em base operacional de uma milícia digital, com a bênção técnica das big techs”.
Na aula, a Meta e o Google “apresentaram tutoriais práticos sobre como automatizar vídeos, alimentar inteligências artificiais com conteúdo político enviesado, impulsionar mensagens via WhatsApp Business e até gerar podcasts inteiros com voz sintética, tudo isso com foco explícito em mobilização política, ataque a adversários e formação de militância digital”.
E agora? Estamos a três meses das eleições para presidente da República, governadores, deputados federais e deputados estaduais. Chegamos a esse momento com poucas medidas efetivas de proteção e regulação, capazes de restringir o poder das grandes plataformas e de grupos políticos de extrema direita que se beneficiam da desinformação, do discurso de ódio e da falta de transparência.
O STF estabeleceu algumas regras, assim como o Governo Federal e a Justiça Eleitoral. Há receio entre especialistas e setores da sociedade de que grupos ligados ao bolsonarismo utilizem intensamente ferramentas de desinformação e deepfakes durante a campanha eleitoral.
Luiz Eugênio Scarpino Júnior, especialista em Direito Eleitoral e pós-doutorando da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, afirma que identificar esse tipo de conteúdo tem se tornado um desafio até mesmo para usuários mais atentos. “Esta é uma tarefa cada vez mais desafiadora. Até porque aquilo que nós conhecemos como fake, na verdade, é adulteração sintética de vídeo, imagem ou som de forma realista.”
Como lidar com candidatos e grupos políticos que recorrem à desinformação e à manipulação digital? Continuarão eles dizendo que as urnas eletrônicas são fraudulentas? Continuarão aliados ao governo Trump e defendendo a entrega de riquezas estratégicas brasileiras, como as terras raras? Continuarão fomentando o banditismo social e digital? Tudo indica que sim.
Como derrotá-los?
Eis aí a grande questão. Não basta enfrentá-los no campo político tradicional; é essencial combatê-los também no âmbito da invisibilidade digital, onde circulam conteúdos manipulados, campanhas coordenadas e estratégias de desinformação.
Scarpino destaca a importância da educação para enfrentar esse problema. “Então a educação digital é uma necessidade de primeira ordem que, infelizmente, no Brasil ainda quase nada faz nesse sentido.”
Talvez não haja tempo para resolver integralmente o problema antes das próximas eleições. Mas cada iniciativa de educação digital implementada agora pode reduzir o impacto da desinformação e preparar a sociedade para enfrentar desafios ainda maiores nos próximos anos.
A democracia não se fortalece apenas com leis e fiscalização. Ela também depende da capacidade dos cidadãos de reconhecer manipulações, verificar informações e participar do debate público de forma consciente. Por isso, investir em educação digital deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade urgente.
Instituto Telecom, Terça-feira, 30 de junho de 2026
Marcello Miranda, especialista em Telecom – Nº 705




