Lavar as mãos

mar 3, 2020 by

Em apenas 48 horas, cientistas brasileiros sequenciaram o genoma do coronavirus. No mundo inteiro, esse prazo tem sido de 15 dias. E o que tem feito o (des)governo brasileiro? Tenta destruir um sistema de financiamento da pesquisa científica que foi construído por décadas.

Essa política vem desde o golpe de 2016. Os números mostram: em 2015, o orçamento das agências de fomento à pesquisa e produção tecnológica era de cerca de R$ 14 bilhões. Em 2019, caiu para cerca de R$ 6 bilhões.

Um exemplo desse ataque ao conhecimento científico é a destruição da Petrobrás. O governo mente descaradamente com o objetivo de privatizar a empresa que é exemplo e referência internacional na exploração de petróleo em águas profundas, para a qual desenvolveu tecnologia própria, pioneira no mundo, sendo a líder mundial do setor. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento colocaram a Petrobras, antes dos governos Temer e Bolsonaro, na liderança mundial no segmento de exploração de petróleo em águas profundas.

Outro exemplo é a Fiocruz. O (des)governo federal tenta desacreditar essa instituição, apesar dela ter uma experiência de quase 60 anos com vírus respiratórios. A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, lembra a importância da instituição:”A Fiocruz reafirma o compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS) na busca de soluções e respostas rápidas para a população brasileira frente a essa emergência sanitária, a exemplo do que já fizemos em outros momentos críticos para a saúde pública, como no enfretamento de H1N1, zika, chikungunya, febre amarela e até mesmo casos suspeitos de ebola”.

E nas telecomunicações? Aqui, lamentavelmente, em 1998 o governo do tucano FHC privatizou o setor e destruiy, na prática, a capacidade de pesquisa no Brasil. Tínhamos o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás. Exportávamos tecnologia do cartão indutivo para a China e dominávamos a tecnologia da fibra ótica. Com a privatização transformou-se o CPqD (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento) numa fundação privada, sem nenhuma capacidade de pesquisa e de desenvolvimento de tecnologia associada a um projeto nacional de telecomunicações.

Mais de duas décadas depois, esse é o quadro que se apresenta: um (des)governo que ataca as universidades públicas, devasta a pesquisa e, por consequência, nos coloca como periferia na criação do conhecimento.  Lava as mãos, simplesmente.

Instituto Telecom, Terça-feira, 3 de março de 2020

 

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